sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cristo, O Herege.


A palavra heresia origina-se do grego hairesis e denota doutrina contrária ao que foi definido pela cúpula de uma instituição religiosa. Em grego, hairetikis significa “o que escolhe”. A heresia é, então, uma ruptura com o dominante. O “escolher” é o grande pecado do herege, ao mesmo tempo em que pode se constituir numa legítima denúncia da corrupção e dos desmandos dos “homens de Deus”.

Então sendo assim, herege é aquele que professa uma doutrina contrária aos dogmas da Igreja.

Em “Religião e Repressão” Rubens Alves diz:


"Heresia e ortodoxia são palavras criadas pelos ortodoxos. Mas, como já indicamos antes, ortodoxos são aqueles que tiveram o poder para impor as suas idéias.

Heresia e ortodoxia têm muito pouco a ver com falsidade e verdade. São formas transversas de indicar perdedores e ganhadores. Ora, não se conhece nenhuma situação em que os ganhadores tivessem tido qualquer interesse em abrir mão do poder. O poder deseja sempre perpetuar-se. E esta perpetuação exige também a perpetuação das idéias que dão aos poderosos a sua aura divina.
Vitória é interpretada como verdade, e a derrota é idêntica à falsidade.

A última palavra sobre a verdade revelada, portanto, não é a voz desta verdade, mas é a voz que, pelo seu poder político, é capaz de silenciar os dissidentes e declarar a questão como encerrada."



Quando homens questionaram e duvidaram da ortodoxia da verdade vigente foram chamados de hereges.

Cristo segundo os monopolistas da verdade que faziam vigorar era um herege por que questionava e não se curvava à verdade vigente que Ele sabia que não era verdade.

O que não pode mudar por comodismo da ortodoxia é uma verdade caduca. Caduca por que é regra e lei sendo que na verdade a verdade (sic) é libertária e militante contra toda verdade imposta.

O evangelho apresenta está verdade militante que combate o bom combate e que muda toda uma verdade que foi imposta para a comodidade de poucos.

Cristo é herege no melhor sentido da palavra por que muda meias verdades que nunca serão uma verdade.

Toda a meia verdade que não é uma única verdade e que é a ortodoxia de uma religião caduca deve ser combatida com a heresia da única verdade que liberta. A heresia é libertária quando questiona as regras da fé vigente desregrando a fé de graça pela graça.

As regras das meias verdades estão fora da verdade por que os que fizeram tais regras escolheram as suas vaidades como verdade, sendo assim transcorrendo uma corrente de tornar aquilo que eram comuns a si mesmos como algo comum a todos como se o “si para si” fosse à verdade de todos.


As meias verdade dominam pela concretização dos desejos de uma longa lista histórica de líderes religiosos que denota antes mesmo do próprio Cristo.

E a “desconcretização” (sic) pela verdade, dentro de uma argumentação militante é impor-se contra muros de uma valorização da verdade que por ser meia é caduca, mentirosa e ortodoxa.


Lembremo-nos que Cristo questionou e militou apontando contra as meias verdades caducas dos ortodoxos de sua época foi tido como um herege, e ainda houve tantos outros exemplos de bons hereges encontrados através da história.

Fonte: Lion of Zion

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Carta de repúdio à Igreja


Como cristão evangélico no atual contexto brasileiro me envergonha o fato de ser conhecido como ‘missionário’ ou ‘evangélico’ nesse país. Não é difícil ouvir piadas e chacotas do tipo: “Ah, você é missionário! Mais um que se aproveita para tirar o dinheiro dos trouxas!?”; “evangélico, humm... então é mais um que ta ajudando a enriquecer pastor!?” Alguns “crentes” vêem esse tipo de comentário como “perseguição do inimigo”. Mas, com a atual prática daqueles que se dizem evangélicos no Brasil, o ‘inimigo’ não tem muito trabalho. Ele deve mesmo é estar se divertindo com tanta bobagem e mediocridade. Uma vergonha para aquela que deveria ser a igreja do Senhor!

O que está acontecendo? Será a grande tolerância religiosa que existe em nosso país que coopera para o surgimento de tanta esculhambação? Se for isso, então oremos ao Senhor por uma perseguiçãozinha! Peneira Senhor!

Reafirmo o meu compromisso e a minha fé no Deus Pai, Criador de todas as coisas, no Filho Jesus Cristo, Senhor e salvador para todos aqueles que crêem e confessam o Seu nome e, no Espírito Santo, consolador, santificador e que convence do pecado. Creio na Bíblia como documento base da revelação da vontade de Deus. Creio na salvação pela fé que é graça, isso mesmo, graça de Deus. Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida para todos que nele crêem.

Assim, repudio toda e qualquer tagarelice crentesca que em nada lembra o amor e doação de Jesus Cristo em favor de uma humanidade em pecado. Repudio ser confundido com os mercenários da fé que usam técnicas enjoativas de marketing para manipular a ingenuidade e a ignorância de um povo sofrido. Repudio a forma como se manipula a Palavra de Deus para fazê-la dizer aquilo que interessa a mesquinhez dos gananciosos de púlpito. Repudio a teologia da prosperidade que se revela eficaz, sim, mas somente aos seus proclamadores. Repudio a arrogância daqueles que por gritarem mais alto, fazerem mais barulho e possuírem líderes carismáticos do tipo apresentador de programa de auditório se acham mais espirituais do que a igreja da outra esquina. Repudio a prática que faz da igreja um negócio rentável que vê nas outras denominações apenas uma empresa concorrente. Repudio a mistura mística que se introduziu nos cultos e na vida do neoevangélico fazendo-o dependente de objetos, símbolos e amuletos defendidos como bíblicos. Repudio o modismo gospel que vive de shows, camisetas e adesivos, enquanto apresenta uma espiritualidade rasa e sem ética. Repudio a prática de pastores que se dizem mais pertos de Deus e, por isso, mais preparados para conseguir aqueles favores de que o povo precisa. Repudio os que se auto-intitulam apóstolos, bispos e profetas portadores de uma nova revelação divina. Repudio as editoras e gravadoras ditas evangélicas que não possuem mais qualquer critério que não o lucro para publicar seus livros e vender CDs. Repudio a prática que transforma a igreja num mero shopping center de bênçãos a serem colhidas nas prateleiras espirituais. Repudio a ignorância teológica que nega a razão e vive de experiência em experiência...

Haveria ainda muita coisa a repudiar. Mas creio que me fiz entendido. Se for isso que vemos hoje o que chamam evangélico; se é esse o testemunho dado por missionários e pastores brasileiros, então não faço a mínima questão de ser reconhecido como tal. Alguns vão me chamar de radical, outros de preconceituoso ou intolerante. Ora, se as palavras ‘evangélico’, ‘crente’, ‘pastor’ e ‘missionário’, que deveriam sugerir exemplo de integridade e caráter causam vergonha, talvez outras palavras, antes de conotação negativa, possam retratar melhor aquilo que deveríamos nos tornar hoje... Afinal, qual é a alternativa?

A igreja que busca compromisso com o evangelho de Jesus Cristo carece urgentemente de ousadia para algo nada novo: Pregar a Palavra de Deus. E isso sem medo de ouvir o que o próprio Cristo já ouviu após se apresentar como o pão da vida: “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” (Jo 6. 60). E se daquela hora em diante muitos dos seus discípulos voltarem atrás e deixarem de segui-lo (Jo 6. 66) querido pastor e missionário, não se preocupe, talvez estivessem interessados somente no pão. Ou, realmente seguiam somente a você e não a pessoa de Cristo que você nunca apresentou antes. Porém, mesmo Cristo foi abandonado e não apelou por isso...

Fonte: Ultimato
Autor: Rodomar Ramlow

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Gospelândia em Cordel




Com a chegada da INTERNET,
......O mundo agora encurtou.
......É que um país bem distante,
......Da gente se aproximou.
......Para provar sua douçura,
......É pra lá mesmo que eu vou.


......Deixei todos meus pertences,
......Para poder lá entrar.
......Troquei minhas vestimentas
......Por um horroroso “abadá”.
......Puseram então no meu rosto,
......Uma máscara de tafetá.


......É um país desmiolado,
......Que todo dia tem festa.
......Para assistir aos seus shows
......Se leva um sinal na testa,
......Com os dizeres escritos:
......Aqui “Deus” se manifesta.


......Uma barulheira infernal
......Me deixou atordoado.
......De frevo, axé e samba,
......Eu já estava enjoado.
......O brado que mais se ouvia
......Era: “está tudo amarrado”.


......No meio da Gospelândia,
......Um grande palco existia,
......Onde os fariseus de Deus,
......Seu “espírito” recebia.
......Eu achei muito esquisito,
......Pois macumba parecia.


......Senti falta da Palavra,
......E ao pregador perguntei:
......Onde aqui se lê a Bíblia?
......Respondeu-me: eu nada sei,
......E ainda disse por cima:
......Dela eu nunca precisei.


......Você não estuda a Bíblia?
......Perguntei interessado.
......Ele respondeu na bucha:
......Ela me deixa estressado,
......É melhor viver aqui,
......Onde o mal tá dominado.


......Disse ainda para mim:
......Aqui eu tenho sossego,
......Não preciso de Jesus,
......Para viver o meu chamego.
......E pra tirar todo aperreio
......Tem sessão de descarrego.


......Eu fiquei estarrecido
......Quando sério me falou:
......Tenho tudo e nada falta,
......Temos coisa de valor,
......Abriu então uma caixa,
......De amuletos. Que horror!


......No país da Gospelândia
......Pobreza é maldição,
......As doenças são demônios,
......Pecado é ter aflição.
......Prosperidade é dinheiro,
......O estudo abominação.


......Um profeta gospel falou:
......Se vivemos em realeza,
......Com ouro, prata e saúde,
......Tendo tudo com moleza,
......Burrice é pregar o céu, ......
......Sendo dono de riquezas.


......Retirei a minha máscara,
......Despi-me da fantasia,
......Voltei para minha terra,
......Do mal de todos os dias.
......Desisti da Gospelândia,
......Pra ter Cristo como guia.



......Prosa em versos por Levi B. Santos
fonte: http://levibronze.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de junho de 2009

E pra quem acha que já viu de tudo...


... até que Jesus tem a letra "bunitinha" hein...!
Tá amarrado! Melhor... tá assinado.

Eparrei Jeová! ( Macumba Evangélica)


Por João Barbosa Júnior


Já faz tempo que venho dizendo que muitas de nossas igrejas têm perdido o rumo. Não precisa ser profeta e nem um “expert” em teologia para perceber como de forma gritante temos nos afastado da simplicidade do evangelho de Cristo.

Nesses muitos caminhos e rumos que a igreja dita “evangélica” no Brasil tem tomado, um dos que mais me preocupa é a proximidade com o “baixo-espiritismo”. Aquilo que era um de nossos maiores “inimigos” parece que se transformou em modelo. Não é impossível hoje traçar paralelos entre alguns cultos “evangélicos” (principalmente os do “baixo-pentecostalismo”) e alguns rituais de terreiros de umbanda.

Em muitos de nossos encontros percebemos claramente a tendência espírita-pentecostal. Um grande amigo certo dia me telefonou muito preocupado. “- Junior, transformaram minha igreja num terreiro... o pessoal chega lá, canta, canta, canta, até entrar em transe e algum profeta “receber” o espírito e então ‘entregar’ a palavra... igualzinho nos terreiros de macumba onde os atabaques ficam tocando até o espírito-guia ‘descer’ e encontrar seu cavalo.”

Pensei naquele momento que ele tinha toda a razão. Parece que só muda o nome do “guia”. Penso que não demorará o dia em que estaremos em algumas dessas “igrejas” e em determinado momento escutaremos sem vergonha alguma: “Eparrei, Jeová... humm.... eis que te digo... mizinfio precisa de sacrificar mais alguma coisa pro ‘espírito santo’ se apossar de vosmincê...”

Outro dia mesmo ouvi de uma “tia” que ia à casa dos irmãos para “orar os cômodos” e afastar as maldições. Lembrei-me de meus tempos de infância quando, ainda ignorante acerca do evangelho, apreciava as benzedeiras que além de “rezar” as crianças (eu mesmo fui “rezado” algumas vezes) visitavam nossas casas para afastar os “maus-olhados” (mas não acabavam com nossos olhos maus).

Permitam-me um adendo aqui. Muitos devem estar perguntando se eu já fiz oração quebrando essas maldições. Não! Quando cri em Jesus e entreguei minha vida ao seu senhorio, o seu sangue lavou-me completamente. Não precisei de uma segunda dose do sangue para me livrar de maldições passadas, o seu único sacrifício foi suficiente. Naquele dia nasci de novo... TUDO se fez novo.

Voltando ao assunto do espiritismo evangélico, essa prática espírita já tomou sua roupagem evangélica através das “tias”, dos “profetas” e tantos outros “irmãos abençoados” que fazem da sua principal missão perseguir o diabo e seus demônios e encontrá-los camuflados e escondidos nos cômodos de nossas casas. Quase sempre eles gostam de se esconder em objetos “sacrificados” aos ídolos, filmes da Disney (herança das pregações assustadoras do Josué Yrion), discos “mundanos” (eu ainda espero completar minha coleção de música “jupiteriana”), e qualquer outra coisa que ofenda o gueto evangélico.

Fico pensando quando é que vão perceber que há muito mais maldição em nosso meio, através de falsos líderes, movimentos que anulam a graça, como o movimento re-judaizante, encontros místicos com regressões e mantras evangélicos, pastores-bispos-apóstolos mentirosos que têm levado suas igrejas a perderem o rumo para perpetuarem seu nome (o nome do líder). Isso sim traz maldição, pois enganam o povo em nome do Deus altíssimo.

Minha esperança (eu ainda tenho esperança) é que um dia a igreja que se diz evangélica REALMENTE se volte para o Evangelho puro e simples revelado por Deus em Sua Palavra e abandone essas práticas animistas-espíritas, onde seres humanos servem de “cavalos” à sede de poder e autoridade deles mesmos e de seus falsos-pastores.

Só queria ouvir “Misericórdia, Senhor!” ao invés de “Eparrei, Jeová!”

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Eu não evangelizo...


Se evangelizar é encontrar uma pessoa na rua e com toda cara de pau dizer "Jesus te ama" e dar as costas, eu não evangelizo.

Se evangelizar é tocar hino nas praças e ir para casa se achando o máximo, eu não evangelizo.

Se evangelizar é ir numa marcha para fazer propaganda de igreja e cantores, eu não evangelizo.

Se evangelizar servir para arrastar pessoas para igreja quando tem festinhas com comida e montar esquemas para ela se sentir bem-vinda somente naquele momento, eu não evangelizo.

Se evangelizar é entregar folhetos que serão jogados no chão e criará mais sujeira nas ruas, eu não evangelizo.

Se evangelizar é pregar com base para embutir culpa nas pessoas bombardeando-as com idéias de pecado e conseqüentemente o inferno para os maus e céu para os bons, eu não evangelizo.

Se evangelizar é convencer as pessoas a se protegerem do mundo dentro de uma igreja que acaba se tornando um bunker contra toda guerra espiritual e ofensivas do diabo, eu não evangelizo.

Se evangelizar é sistematizar o Evangelho, eu não evangelizo.

Agora se evangelizar é caminhar junto, estar presente na vida das pessoas, ser ombro amigo, chorar e rir em vários momentos, então eu creio que eu evangelizo.

Afinal entendo que o maior evangelismo de Cristo, foi estar ao lado, foi comer junto e presenciar toda a aflição e alegria do teu próximo.

Creio que evangelizar é sinônimo de relacionamento. O verdadeiro evangelho não é feito de seguidores e sim de amigos.

Portanto, se evangelizar é partilhar o pão nosso de cada dia, eu evangelizo.

Marco Finito, no blog Lion of Zion.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Penso? Se penso, logo busco


Muitas pessoas recorrem ao pagamento de terceiros para pensarem em seu lugar. Tornamo-nos uma sociedade dependente do ponto de vista de especialistas. O espaço que nos é concedido para refletir, entreter-nos e questionar sobre os mistérios do dia-a-dia encolheu."Michael R. Legault

Parece que uma característica de nosso tempo, aliás, bastante acentuada, é a de nos livrarmos de problemas o mais rápido possível, ainda que tenhamos de pagar caro por isso. Claro que, implicitamente, encontra-se a questão de escaparmos de maiores responsabilidades.

Por exemplo, se seu filho está tomando e solicitando mais do que você pode dar a ele, contrate uma boa escola, leve-o ao psicólogo, matricule-o em mais um curso qualquer; ao menos, enquanto estiver por lá, a responsabilidade será deles.

No ambiente de trabalho, para que ficar se ocupando com tanta pressão e cobrança? Repasse a outrem sempre; se errar, inclua o outro, livre-se da responsabilidade. E, de quebra, saliente sua capacidade de delegar ou trabalhar em equipe!

Se, em sua vida pessoal, estiver enfrentado problemas e encontrar-se cansado demais e/ou com medo de assumir a responsabilidade da decisão, simples: vá a um psiquiatra, um clínico geral, pegue algumas pílulas de "felicidade" e exija que eles mostrem qual a melhor decisão a ser tomada. Para os crentes, fica ainda mais fácil; afinal, para que se tem um pastor? Nada como uma visitinha ao gabinete pastoral. Lá se expõe o problema e espera-se que ele dê a solução.
A máxima, bem disfarçada, é "terceirize suas responsabilidades e livre-se de incômodos". Não perca tempo pensando, aja. Sem dúvida, nossa arrogância ou ignorância atrapalham muito nossa vida. Buscar a ajuda das pessoas pode ser fundamental, mas a preocupação é essa tendência geral de nos acomodarmos, fugirmos da responsabilidade, uma espécie de preguiça generalizada. E ainda nos achamos eficientes por "resolvermos" rapidamente os problemas. Um verdadeiro perigo!

Poderíamos dizer que existe até uma acerta recusa moderna (pós ou hiper) a pensar. Como diria Rubem Amorese em seu livro Excelentíssimos Senhores, vivemos um "charmoso irracionalismo intimista: não pense, sinta; não entenda, usufrua; não busque, receba; não caminhe, vibre; não se esforce, relaxe; não compreenda, intua. E você será tão mais moderno quanto mais conseguir viver essa irracionalidade esotérica".

O famoso cineasta norte-americano David Lynch, 62 anos, esteve no Brasil em 2008 pela primeira vez. Sua visita, no entanto, não foi para falar de cinema, nem para tirar férias, mas sim especificamente para a divulgação do livro Em Águas Profundas: Criatividade e Meditação. Publicado nos EUA em 2006, virou best-seller. Em toda e qualquer entrevista, ele não pára de falar sobre os benefícios da meditação: "É dinheiro no banco. Não tem erro. Meditar é como mergulhar em um cofre cheio. Cada vez que vai lá, consegue pegar umas moedas", diz ele à revista Serafina (jornal Folha de S.Paulo - agosto 2008). E continua, sendo taxativo: "Apenas faça, depois siga com a sua vida e veja tudo melhorar". Ele tenta esclarecer: "Não é religião, não é culto, é uma técnica que permite que você chegue até a felicidade infinita, a inteligência infinita, a criatividade infinita, o amor infinito. A negatividade vai embora e leva junto a depressão, a melancolia, o desejo de vingança. Você medita e, BUM!, atinge a iluminação". Ousado, ele quer parceiros para incluir a meditação transcendental no currículo de escolas e universidades brasileiras.

Veja que, segundo ele, parece que todos os problemas serão resolvidos através da meditação transcendental. Desde depressão até questões financeiras, basta meditar - eis a solução pra tudo. A proposta é bem diferente da meditação cristã, que há séculos vem abençoando o povo de Deus. Aqui no Brasil, Osmar Ludovico (leia Meditatio - Ed. Mundo Cristão) tem sido um dos que nos ajuda a compreender sua importância e significado para a vida em Cristo.

Parece que Richard Foster (Celebração da Disciplina) estava certo ao afirmar que "a superficialidade é a maldição de nosso tempo" . Nossa estranha e confusa época tem apresentado soluções bastante questionáveis, porém - como o pensar não anda em alta e, às vezes, é tido até como ofensivo -, muitos têm aderido. Sedentos pelo caminho mais largo, por repostas instantâneas, soluções mágicas, regras que facilitem a vida, muitos têm aderido às propostas mais malucas.

O perigo, tão grande ou maior, se mostra em algumas propostas parecidas, mas com roupagens "cristãs"; como, por exemplo, a teologia da prosperidade, que tanto cresceu em nosso país, ensinando ao povo que basta ter fé e saber bem usá-la numa negociação com o divino.

Ao que tudo indica, a facilitação da vida, preferencialmente com respostas rápidas, fáceis e que funcionem, exerce um fascínio muito grande sobre a humanidade. Se funciona por pouco tempo, se apenas mascara algo muito maior que precisa ser tratado, se inibe o desenvolvimento em outras áreas, se outros são prejudicados; isso tudo parece pouco importar.

O sociólogo e mestre cristão Paul Freston, em seu livro Fé Bíblica e Crise Brasileira, insiste: "Ser evangélico deveria significar ser radicalmente bíblico. Ao invés de fetichizar a Bíblia, honrando-a como símbolo, temos de levá-la a sério, por meio do trabalho árduo de interpretação e aplicação".

É importante observarmos o que o apóstolo Paulo nos diz a respeito de um culto racional, de cristãos que não tomam a forma deste mundo e - vale considerar, em nosso caso - não aderem ao "jeitinho brasileiro" (Rm 12.1,2). E também o vemos admoestando os irmãos em Corinto: "Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também com o entendimento" (1Co 14.15). E ainda não suaviza quando pede com toda a autoridade: "Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa" (1Co 15.34).

Que Deus nos ajude a termos bom senso diante de dias tão turbulentos, com pessoas tão apressadas e prontas a aderirem a propostas perigosas, optando por viver sem refletir mais seriamente e transferir responsabilidades a outros. Que haja em nós um sentimento saudável de estranhamento, que nos leve a pensar com maior profundidade, que nos encoraje a observar nossos dias mais criticamente e nos anime a rever posturas e discernir melhor nosso tempo. Que o Espírito de Deus tenha a liberdade de nos incomodar e nos guie a toda verdade.



Por Taís Machado, psicóloga, Mundo Cristão