quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O nascimento de nosso Sinhô a moda nordestina!

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Um feliz Natal a todos, e que o verdadeiro sentido dessa comemoração esteja no coração de todos não só nessa época, mas durante todo o ano, para sempre. Glória a Deus e exaltado nos céus pelo nosso Salvador, Senhor e Redentor, Reis dos reis, Jesus Cristo de Nazaré, o Herege dos hereges!
Alelóia! =D

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PRECISAMOS DE SUA AJUDA!



O SAMUEL SOUSA CARDOSO É CASADO, TEM 40 ANOS, NATURAL DE VITÓRIA DA CONQUISTA E MEMBRO DA IGREJA BATISTA BETÂNIA. ELE ESTÁ DESAPARECIDO DESDE O DIA 16/11/09, PELA MANHÃ.

Se você tiver alguma informação, entre em contato através do telefone acima. A família e os amigos agradecem!

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ah, os profetas... Tristes Profetas!



E
les já
tiveram status de primeira grandeza na Bíblia; não andavam de automóveis último tipo e não possuíam grandes aeronaves (como alguns nossos contemporâneos). Caminhavam com passos cansados. Uns eram medrosos , outros, tão angustiados que se escondiam em cavernas... Porém, todos, tinham algo em comum, eram genuínos, autênticos. Nem precisava se auto-proclamarem profetas, pois tal qualidade lhes era tão peculiar que 'saltava aos olhos'. Primavam pela humildade ao invés da arrogância. De fato eram apenas instrumento d'Ele.

Hoje também há profetas (dizem), mas quem sabe? Quem atirará a primeira pedra? Profetas profanadores... alquimistas da palavra não escrita.

Há profetas...? Homens que se vestem de santidade - profetas boquirrotos. Pilhadores da fé alheia, depenadores de incautos, incultos.

Profetas...? Jogando as suas redes e recolhendo-as cheias - não de peixes, tampouco de almas, como Pedro. Mas cheias de sonhos. Sonhos das pobres criaturas que se enredaram nas 'malhas', seduzidas pela volúpia do 'espírito' fácil, convencidas pela garantia do 'escambo' da bênção.

Profetas gritadores, gritalhões; plantadores de verbos malfeitos, advérbios imperfeitos, substantivos nada substanciais.

Eles sobejam, bafejam 'anjos' , trafegam pelas vias celestiais do inusitado, trazendo para a espantada plateia a cura - cura pelo vento: vento de doutrina, de falsos ensinamentos. Eles curam! Curam? Sim, eles curam doenças imaginárias - imaginadas por eles. Enfermidades subjetivas, que se encontram no recôndito invisível das entranhas: veias entupidas, rins 'estragados', vesículas carcomidas, cânceres não diagnosticados. Curam tudo...

Eles libertam... de todos os demônios: do colesterol, do álcool, da prostituição, da depressão, da loucura, do triglicérides, do ácido úrico. Amarram, expelem, algemam, prendem. Não, não prendem. Eles dialogam com as entidades, num clima de quase respeito, quase camaradagem, velhos conhecidos...

Os profetas fazem tudo: pregam (histrionicamente) , ministram (insanamente), derrubam (espantosamente) e gritam (insistentemente).

Só lhes falta uma única qualidade, uma somente: eles desconhecem a Graça, como dom gratuito do Soberano Deus. Se esqueceram do Cordeiro, oferecido em holocausto como propiciação pelos nossos pecados. Assim, eles vendem a ideia da salvação ministrada por eles, porque eles são o canal, eles intermediam, eles fazem e eles acontecem.

Pobres profetas...


Por Ricardo Mamedes
Fonte: Púlpito Cristão

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Não ser perfeito não me impede de denunciar o pecado




"É perigoso calar a verdade sob o argumento de que ninguém é perfeito. A humildade em reconhecer a própria torpeza deve sempre conduzir ao arrependimento, e não ao cinismo, tampouco ao conformismo".


Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, clama o apóstolo Paulo em atitude revolucionária (Rm 12.2). Notem-se as palavras de ordem: não se conformar; transformar-se, renovar a mente.

O inconformismo é uma das marcas do cristianismo bíblico. O cristão é um inconformado por natureza. O cristão anda em revolta contra o sistema pecaminoso que impera no mundo. O cristão tem que ser indignado. Por isso, a Igreja sempre está em conflito com a sociedade, de um modo ou de outro. Quando um grupo cristão se conforma aos valores sociais do seu tempo, algo está muito errado. Uma dose de conflito sempre é necessária.

Não me refiro a conflito físico, mas a conflito moral e espiritual. As igrejas que estão muito afinadas com a sociedade estão mal diante de Deus, porque o Senhor não aprova os padrões deste mundo.

Por mais estranho que possa parecer, o legalismo evangélico aproxima as igrejas do mundo, em vez de afastar. Isso porque, sob a capa farisaica de uma santidade meramente exterior, cria-se uma cultura religiosa que não incomoda os poderes das trevas. Os não crentes vão nos tratar com um respeito indiferente, entendendo que somos mais um grupo social-religioso na grande teia pluralista dos agrupamentos sociais.

Não se conformar é não tomar a forma, o modelo do mundo. Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, moldando-nos do pó da terra. Iríamos nós, agora, nos desumanizar adotando uma forma diferente?

A segunda palavra de ordem é a da transformação pessoal. Eu preciso entender que posso mudar o mundo, e que a minha esperança juvenil não é loucura de um jovem sem maturidade. Poderei mudar o mundo na medida em que puder mudar a mim mesmo, pelo poder que há na Palavra de Deus, o poder do Espírito Santo, ofertado mediante a fé no sacrifício do SENHOR Jesus Cristo. Transformar a mim mesmo já é em si uma tarefa para um revolucionário!

A terceira e derradeira palavra de ordem é a da renovação da mente. Ora, Paulo tinha mesmo um conhecimento formidável, pois hoje o que se diz cientificamente é que o que o homem pensa de si mesmo irá determinar seu modo de vida, suas ações. Eis uma das contribuições da Psicologia. E, mais do que isso, precisamos entender que Paulo não era gnóstico, porque não é o conhecimento puro e simples que salva, mas o conhecimento de Cristo, o Único que pode resgatar o Ser Humano dos seus pecados.

Uso o texto de Rm 12.2 para combater o conformismo, a acomodação, a desesperança, o cinismo, a tolerância para com o pecado. Precisamos ser mais humildes, sim, precisamos nos arrepender dos nossos pecados, sim, e depois levantar a cabeça e denunciar os desmandos e desatinos de líderes que tomam a dianteira de rebanhos inteiros destinados à desnutrição espiritual ou, quem sabe, à morte.

Que jamais percamos a esperança. É ela que nos move adiante!



Por Alex Esteves
Fonte: Púlpito Cristão

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Qualquer semelhança com nossa "Igreja" não é mera coincidência


O outro deus e o outro universo


Imagine que, em vez de um, existissem dois deuses iguais em poder e majestade. Claro que isso só pode acontecer através de um conto. Então, prepare sua imaginação.

Dois deuses existiam. Contudo, eles não se encontravam, porque cada um tinha um reino, um universo próprio e governava segundo sua vontade soberana.

O primeiro amava a todos igualmente. Era santo, justo e verdadeiro. Por amar a todos, não fazia acepção de ninguém nem sonegava de um para dar ao outro. Desejava que todos aprendessem a amar e a compartilhar o que tinham. Ensinava o caminho da justiça por seu próprio exemplo. Sua proposta de vida para o mundo não era o sucesso, mas o significado; não a vitória, mas a igualdade.

O outro deus gostava de todos os que habitavam em seu universo, mas tinha compromisso apenas com aqueles que lhe eram devotos. A estes, oferecia uma vida de facilidades e lhes garantia livramento dos perigos próprios do existir. Assegurava que os devotos fossem recompensados por sua fidelidade.

Todavia, para garantir vida isenta aos devotos, esse outro deus tornou-se um ditador. Ora, isso é óbvio, uma vez que para existir proteção no meio de um perigo, faz-se necessária a coerção do agressor, isto é, a obstrução de seu livre arbítrio. Para que existam ganhadores, também devem existir perdedores. Um mundo constituído só de ganhadores é pura ficção.

Voltando para nossa estória, a questão é que, para garantir a promoção do devoto no emprego, aquele deus precisava barrar o progresso da carreira profissional do não devoto, mesmo que mais competente, de modo a impedir que ocupasse o cargo que, por justiça, deveria ser seu.

Com o passar do tempo, aquele deus tornou-se mestre em derrotar os inimigos daqueles que o amavam e continuava a lhes dar vitória. Mas seus devotos, insatisfeitos, pediam não apenas melhores empregos, mas também prosperidade. Assim, teve de empobrecer alguns para enriquecer os seus, garantindo-lhes uma vida como filhos do Rei. Sim, uns tinham que ser empobrecidos, porque é impossível mexer na história e na economia sem mexer no contexto e com as pessoas que deste fazem parte, uma vez que os recursos daquele universo eram os mesmos para todos. Inicialmente, todos tinham acesso aos bens da natureza, mas o excesso de recursos dados e esbanjados por uns foi proporcional à falta de recursos sentida por outros. Esse princípio era dos mais elementares na economia daquele mundo.

E assim, aquele outro deus tornou-se capitalista, garantindo a riqueza dos seus por meio do empobrecimento dos demais. Colocou os seus em uma redoma de vidro, enquanto o resto de seu mundo desabava em guerras, doenças e misérias.

O tempo passou e passou e passou. O universo do primeiro deus tornou-se justo como ele, feliz e amoroso como ele, um mundo à sua imagem e semelhança. Já o universo do outro deus tornou-se o retrato da injustiça social, da inveja, da cobiça, disputa e da miséria.

Em qual desses dois deuses você confiaria? Em qual desses dois mundos você preferiria viver?

Antes de encerrar, preciso dizer a verdade. Estes dois deuses, de fato, existem no conceito das pessoas. Só que um deles é falso. O primeiro chama-se Jesus. Puro e cheio de amor, veio viver nossa tragédia, para, através da compaixão, libertar nossas vidas e tornar o mundo justo. O outro deus recebe o nome que você quiser dar. Muitos até o chamam de Jesus – mas só como apelido. Todavia, ele não é o fruto do bendito ventre anunciado pelo anjo, mas o produto do ventre de nossa cobiça e do marketing ganancioso das religiões.

A pergunta permanece no ar. Qual dos dois você está servindo?

Por Domingos Alves, no Pavablog

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Momento de Rendição

Música do U2, original Moment of Surrender


Me amarrei com fios

Para os cavalos correrem livres

Brincando com fogo até que o fogo brincou comigo

A pedra era semi-preciosa

Nós estavamos semi-conscientes

Duas almas espertas demais para estar no reino da certeza

Mesmo no dia do nosso casamento



Nós nos colocamos em chamas

Ó Deus, não negue ela

Não é se eu acredito em amor

Mas se o amor acredita em mim

Oh, acredite em mim



No momento da rendição

Eu fiquei de joelhos

Não prestei atenção nos transeuntes

E eles não prestaram atenção em mim



Eu estive em todos os buracos negros

No altar da estrela negra

Meu corpo se tornou um recipiente de esmolas

Que esta implorando para voltar, implorando para voltar

Para o meu coração

Para o ritmo de minha alma

Para o ritmo da minha inconsciencia

Para o ritmo que se lembra

Para ser libertado do controle



Eu estava apertando os numeros de um caixa eletronico

Eu podia ver no reflexo

Uma face me encarando

No momento da rendição

De visão sobre visibilidade

Eu não prestei atenção nos transeuntes

E eles não prestaram atenção em mim



Eu estava correndo no metro

Pelas estações do cruzamento

Todos os olhos olhando para o outro lado

Contando para quando a dor iria parar



No momento da rendição

De visão sobre visibilidade

Eu não prestei atenção nos transeuntes

E eles não prestaram atenção em mim

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Como se conhece a Jesus?

A pergunta proposta remete-nos ao texto do Evangelho segundo Lucas cap. 24, vers. 13-35, o qual nos deixa pasmos e perplexos com as atitudes do Nazareno.

Para mim, o texto citado suscita numa série de indagações, a saber: Se conhece a Jesus, orando, louvando, lendo a Bíblia diariamente, evangelizando?

Se conhece a Jesus, sendo fiel nos dízimos e nas ofertas, guardando as doutrinas, tradições, princípios, costumes e sacramentos? Se conhece a Jesus, jejuando, freqüentando regularmente as atividades da Igreja, fazendo votos de fé e obedecendo os seus líderes? Se conhece a Jesus, fazendo parte de uma Religião ou Igreja, recebendo uma carteirinha de membro e tendo cargo vitalício na instituição?

Se conhece a Jesus, recebendo um santo numa sessão espírita ou oferecendo oferendas aos espíritos? Se conhece a Jesus, estudando teologias, Ciências das Religiões, as línguas bíblicas e elaborando homilias convincentes? Se conhece a Jesus rezando o terço diariamente, sendo um fiel contribuinte dos veículos de comunicação que propagam as boas novas?

Se conhece a Jesus, atrofiado nos guetos eclesiásticos submissos ás “santas” autoridades constituídas por deus? Se conhece a Jesus, expulsando demônios, gritando histericamente, chorando e até mesmo falando em línguas estranhas? Por fim, se conhece a Jesus, na Bíblia ou na vida? Vale ressaltar que respeito todas as práticas supracitadas.

Conhecer a Jesus, talvez, não constitui-se tarefa fácil, mas tentarei de alguma forma, observar o texto de Lucas e, assim, tentar extrair algumas imagens que julgamos ser interessantes para o caminhar diário.

Bom, a primeira imagem é do Jesus que aparece subitamente e começa a caminhar com o casal, Jesus caminha conosco; a segunda imagem é do Jesus que logo começa a conversar com o casal, Jesus conversa conosco; a terceira imagem nos ensina que não basta apenas conhecer as Escrituras, pois as obras vêm antes das palavras, Jesus vai além de palavras; a quarta imagem testa até onde vai nossa prática da fé, isto é, o Jesus que simula não está cansado da longa caminhada e, nem tampouco, com fome, Jesus espera uma atitude nossa.

A quinta imagem é do Jesus que entra na casa do casal, assim Jesus entra em nossa casa; a sexta imagem nos apresenta o Jesus que fica hospedado conosco; a sétima imagem traz o Jesus que parte o pão e distribui conosco, Jesus nos desafia a prática da partilha; a oitava imagem nos ensina que devemos abrir os nossos olhos para a realidade que tão de perto nos rodeia; a nona imagem quer a disseminação da prática da partilha, pois só assim os nossos olhos serão abertos; a décima e última imagem diz respeito a insistência na prática da partilha, observem os versículos seguintes (36-42), Jesus diz: “... Vocês têm aí o que comer...?” Jesus pede-nos ação. Mediante o exposto, de notar que essas imagens remetem-nos á outras passagens bíblicas que propõem conhecer Jesus.

Percebo que o casal (Cleopa e Maria), representa muito bem as comunidades pós-ressurreição, de fato, só conheceu a Jesus, no partir do pão. Desse modo, partindo da leitura dos textos, sinto-me extremamente distante de conhecer a Jesus, creio que essas imagens ainda estão ofuscadas na minha caminhada cristã. Sinceramente creio que tenho conhecido mais a Igreja e o Cristo dos Céus do que o Jesus que sente fome e pede-me comida.

Com isso, não estou fazendo apologia á prática de assistencialismos paternalistas e exclusivistas, mas só desejo de coração ardente, buscar tratamento para a minha “miopia” e quase “cegueira” da fé e, acima de tudo, ser mais humano e menos cristão.

Via Pavablog

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Deus que age fora de nossos arraiais

Para começarmos nossa presente discussão, gostaria de compartilhar duas composições de duas bandas que começaram suas atividades nos anos 70. A primeira letra diz o seguinte:
ozzy osbourneVocê já pensou sobre sua alma / Será que ela pode ser salva? / Ou talvez você pense que quando estiver morto / Você vai simplesmente ficar no túmulo / Deus é só um pensamento na sua cabeça / Ou ele é uma parte de você? / Cristo é só um nome que você leu em um livro / Quando você estava na escola? / Quando você pensa na morte, você perde o fôlego / Ou fica tranqüilo? / Você gostaria de ver o papa enforcado? / Você acha que ele é bobo? / Bem, eu vi a verdade, sim, eu vi a luz / E mudei o meu caminho / E estarei preparado quando você estiver sozinho e assustado / No fim de nossos dias / Será que você ficaria com medo do que seus amigos poderiam dizer / Se eles soubessem que você crê no Deus Altíssimo? / Eles compreenderiam antes de criticar / Que Jesus é o único caminho para o amor / Sua mente é tão pequena que você tem que desabar / Com a sua turma por onde quer que você corra? / Você ainda zomba quando a morte se aproxima / E diz que eles podem muito bem adorar o sol? / Acho que é verdade que foi gente como você / Que crucificou a Cristo / Acho triste que a sua opinião / Tenha sido a única levada em consideração / Você estará tão certo quando o seu dia chegar / Ao dizer que não crê? / Você teve a chance, mas você a jogou fora / Agora você não pode reavê-la / Talvez você pense antes de dizer que / Deus está morto e enterrado / Abra seus olhos e entenda que Ele é o Único / O Único que pode salvar você de todo este pecado e ódio / Ou você ainda zomba de tudo o que ouve? / Sim, acho que é tarde demais.
É bem interessante. Agora, vejamos a segunda composição:
freddieEu O vi na multidão / Um monte de gente se reuniu ao redor dEle / Os mendigos gritavam e os leprosos O chamavam / O velho não disse nada / Apenas ficou fitando-O / Todos estão indo ver o Senhor Jesus / Então chegou um homem que caiu perante Seus pés / Impuro, disse o leproso, e tocou o seu sino / Sentiu a palma de uma mão tocar sua cabeça / Vá, vá, você é um novo homem / Todos estão indo ver o Senhor Jesus / Tudo começou com três sábios / que seguiram uma estrela que os guiou até Belém / E fizeram com que isso fosse conhecido em toda a terra / O líder dos homens nasceu / Todos estão indo ver o Senhor Jesus
A primeira letra parece ser de alguma banda evangélica que confronta, face a face, a obstinação do pecador em recusar a oferta salvífica de Cristo. A segunda letra parece ser de alguma banda de louvor e adoração que resolveu retratar algum episódio bíblico, convidando ao ouvinte a também seguir o Senhor.
A banda responsável pela primeira letra ficou conhecida como a primeira banda de heavy metal da história. O seu nome é derivado de rituais de magia negra. É o Black Sabbath.
Já a banda responsável pela segunda letra ficou conhecida pela alta qualidade de sua música, que misturava rock com componentes progressivos e orquestrais, e pela teatralidade de seu vocalista. O nome da banda é uma antiga gíria para designar homossexual. Estamos falando do Queen.
Não é estranho que Black Sabbath e Queen fossem capazes de produzir músicas de conteúdo espiritual tão profundos e tão belos? Não é de se estranhar que, segundo a mentalidade evangélica segregacionalista e auto-centrada de hoje em dia, pessoas notoriamente contrárias à fé cristã falarem tão abertamente da realidade do Reino de Deus?
Estranhamos pelo fato de sofrermos da mesma miopia religiosa dos judeus do tempo de Jesus, que ficaram bravos quando Ele disse que Naamã, general sírio, havia sido curado de sua lepra por Deus, mesmo havendo tantos israelitas contemporâneos ao ele padecendo da mesma enfermidade (Lc 4.27). Estranhamos pelo fato de não compreendermos o que significa Graça Comum e imagem de Deus.

O que é Graça Comum?
Graça é o favor de Deus que nós não merecemos. É o Seu amor por nós, pecadores. Deus nos ama a ponto de enviar Seu Filho para morrer em nosso lugar naquela cruz. Mas Graça não é apenas isso.
A Graça de Deus também faz com que o mundo em que vivemos não se torne insuportável. A Graça de Deus manda chuva e sol, estações chuvosas e estações secas, frio e calor, sobre pessoas tementes a Ele e sobre pessoas que O rejeitam de modo completo . A Graça de Deus faz com que o homem não-regenerado saiba que, mesmo no seu mais profundo íntimo, existe o certo e o errado . A Graça de Deus, derramada sobre a Criação, sustentando-a, é designada Graça Comum.

Imagem e semelhança de Deus
Outro aspecto que negligenciamos é a doutrina da imagem de Deus. Como evangélicos, tendemos a pensar em todas as coisas de uma maneira maniqueísta: espiritual x material. Assim, temos dificuldade em entender o homem como imagem de Deus sem relacionar este fato com a sua espiritualidade, ou melhor, com sua filiação denominacional.
Ainda que o homem seja pecador, ele carrega em si uma identidade com o Criador. Tal identidade, a imagem e a semelhança – os dois termos são usados como sinônimos – faz com que ele seja distinto do restante da Criação.
Um mero animal não faz escolhas baseadas em um senso de justiça. Um animal não chega a conclusões lógicas baseadas em um pensamento abstrato. Os animais inferiores estão presos aos seus instintos, mas o homem possui a liberdade moral, ainda que limitada. Enfim, um animal não possui a capacidade de se encantar com a Ária na corda Sol de Bach, apreciar algum quadro de Salvador Dalí, se divertir lendo textos de Luís Fernando Veríssimo ou se entreter com algum filme hollywoodiano.
Tais características – senso de justiça, raciocínio lógico, espiritualidade e senso de estética – são o que teólogos classificam como imagem de Deus.
Obviamente que tal imagem foi seriamente prejudicada pelo pecado. Se, antes da Queda, poderíamos ver a assinatura de Deus na natureza, hoje, só podemos ter consciência de Deus e de nossa necessidade dEle através Palavra.

Manifestações culturais
Cristo pode ser manifesto na cultura, não sendo um produto dela, e nem estar contra ela. A soberania de Deus se estende em toda a Sua Criação; Ele não está restrito aos evangélicos apenas.
Grandes obras de nossa literatura contemporânea, como O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia, apresentam a realidade do Evangelho de maneira implícita, lançando mão de elementos culturais europeus arcaicos e mitológicos. Embora os seus autores fossem cristãos – J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis – não foram superficiais em seus trabalhos escritos, usando elementos religiosos cristãos. Podemos ver a figura de Jesus em Gandalf e em Aslam, o que nos mostra que Cristo pode se apresentar na cultura, ainda que esta não seja explicitamente cristã. E isto se deve à imagem de Deus no homem – ainda que não-regenerado – e à Graça Comum.

No Blog do Digão

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Decepção Profunda pela Igreja


Por Martin Luther King Jr.

...Em decepção profunda, chorei pela frouxidão da igreja. Mas estejam certos de que minhas lágrimas foram lágrimas de amor. Não pode existir decepção profunda onde não existe amor profundo. Sim, amo a igreja. Como poderia não amar?
Não digo isso como um daqueles críticos negativos que sempre conseguem encontrar algo errado na igreja. Digo isso como um sacerdote do evangelho, que ama a igreja; que foi acalentado em seu seio; que tem sido sustentado por suas bênçãos espirituais e que permanecerá fiel a ela enquanto o fio da vida estender-se.
...Em decepção profunda, chorei pela frouxidão da igreja. Mas estejam certos de que minhas lágrimas foram lágrimas de amor. Não pode existir decepção profunda onde não existe amor profundo. Sim, amo a igreja. Como poderia não amar? Estou na posição um tanto singular de filho, neto e bisneto de pregadores. Sim, vejo a igreja como o corpo de Cristo. Mas, oh!, como maculamos e deixamos cicatrizes nesse corpo por meio da negligência social e por meio do medo de sermos não-conformistas.
Houve um tempo em que a igreja era bastante poderosa – no tempo em que os primeiros cristãos regozijavam-se por ser considerados dignos de ter sofrido por aquilo em que acreditavam. Naqueles dias, a igreja não era apenas um termômetro que registrava as idéias e princípios da opinião pública; era um termostato que transformava os costumes da sociedade.
Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem “perturbadores da paz” e “forasteiros agitadores”. Mas os cristãos prosseguiam, com a convicção de que eram “uma colônia do céu”, que devia obediência a Deus e não ao homem. Pequenos em número, eram grandes em compromisso. Eles eram intoxicados demais por Deus para serem “astronomicamente intimidados”.
Com seu esforço e exemplo, puseram um fim em maldades antigas como o infanticídio e duelos de gladiadores. As coisas são diferentes agora. Com tanta frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto. Com tanta frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são.
Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja atual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado para o século XX. Todos os dias, encontro pessoas jovens cuja decepção com a igreja tornou-se uma repugnância absoluta.

Trechos da *Carta de uma prisão em Birmingham*

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Estou "grávido"!



Pois é minha gente.... finalmente a tão esperada e até esquecida notícia chegou a mim.... descobri que serei papai =D que benção após 5 meses sem o bendito anticoncepcional, minha esposa tá com o herdeiro herege na barriga. Agora é ficar na expectativa que seja um varão! Queira Deus! Que venha Khalel!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Reflexão do dia...



"No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se numa filosofia. Depois, chegou a Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio"
(Richard Halverson).

Complementando com o pensamento de Hermes Fernandes... "Quando chegou ao Brasil, tornou-se um circo! Com tanto malabarismo teológico, palhaçadas e milagres tirados da cartola, só poderia dar nisso."

terça-feira, 28 de julho de 2009

Vaidade de vaidades


Tempo que não escrevo com minhas próprias palavras... palavras estas que por vezes são sinônimo de vaidade.... vaidade de vaidades.
Covarde. Talvez seja essa definição. Um patético quixotesco covarde, que por muitas vezes não se dá conta da condição divina que possui. Então, sou um patético quixotesco covarde... Agraciado por Deus.
Graça. Salvação. Pensar. Clamar. Chorar. Escrever? Sorrir? Caminhar... tornando minha vida uma "Via Crucis", uma díficil bela "Via Crucis".
Vaidade de vaidades, porque me persegues? Por que persegues esse patético quixotesco covarde? Por que queres tornar em desgraça a graça de ter a Graça em algo insignificante, que teima em achar que ser algo insignificante é significante, importante. Vaidade de vaidades...
Verdade... cansado de escrever, cansaço que me faz crescer, e crescendo para me cansar...
pensar...
clamar...
chorar..
amar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A pedidos... "Caminhos para uma Igreja Contextual: Apenas Descaminhos Disfarçados"




Igreja contextual. Muito se têm comentado e falado nos meios eclesiásticos sobre esse tema. Verdade que a Igreja tem se preocupado mais com assuntos marginalizados, como por exemplo, o papel da Igreja com os pobres, com os abandonados sociais, com meninos de rua, e principalmente com as pessoas que ainda não conhecem ao Senhor Jesus. O que se tem visto hoje é uma corrida, meio que desesperada, da Igreja de alcançar mais fiéis, de fazer “a Obra”. Mas, qual será a real motivação para isto? Em minhas reflexões, tenho sempre a sensação de que a Igreja faz isso como tentativa de limpeza de consciência, como se tentasse esconder algo que lhe aflige, como se tentasse compensar algo que lhe falta. Tenho pensado nisso nesses últimos tempos, e o Senhor sempre tem me incomodado com algo. Após uma observação e análise de reflexões de teólogos contemporâneos, ao se tratar de questões evangelísticas, pode-se pensar no papel do chamado culto “evangelístico”, Podemos ver esses cultos, em sua grande maioria, com um conteúdo insatisfatório das Escrituras e muito de conhecimento humano. No final, algumas pessoas sempre vão a frente, em sinal de conversão a Cristo. Mas surge algumas perguntas relevantes: Será que foram a frente em sinal a Cristo mesmo? Converteram-se mesmo ou se convenceram? Onde está Cristo nas nossas pregações? Sabemos que muitos falam dos caminhos para uma Igreja contextual. Muitos falam e apontam alguns caminhos, mas não observam o que estes causam para a Igreja Verdadeira; Na minha medíocre opinião, esses tais “caminhos” são na verdade, descaminhos disfarçados; São caminhos agradáveis aos incrédulos.
Uma das características da tal “Igreja Contextual” é a perda gradual da presença de Cristo, a revelação máxima de Deus. A Igreja de hoje... talvez essa pequena ilustração nos elucide um pouco sobre ela: “O grupo estava cantando animadamente, a bateria estava soando, os guitarristas estavam tocando animados com a audiência que cooperava batendo as palmas e os pés - mas o Espírito não estava ali. Eles cantaram por mais de uma hora, levando a uma emoção crescente, depois se sentaram com um sentimento de bem estar - mas o Espírito não estava ali. O pregador apresentou sua mensagem, contou suas estórias, fez todos rirem e chorarem - mas o Espírito não estava ali. Ele começou seu apelo, explicou apelando para que as pessoas viessem à frente para serem salvas, outras para que re-dedicassem suas vidas, outros para receberem cura interior, outros para compartilharem com os conselheiros a respeito dos seus problemas. Urna multidão veio à frente. Um homem disse a si mesmo, ‘Eu quero ser feliz como estas pessoas’, e foi à frente - mas o Espírito não estava ali. Depois do culto, quando as pessoas estavam conversando umas com as outras sobre suas atividades e planos, ninguém percebeu que o Espírito Santo não estava no seu meio.
Mais abaixo, na mesma rua, em outra igreja, o pastor anunciou os hinos que iriam cantar. Leram um salmo em uníssono, a congregação cantou - mas o Espírito não estava ali. A nova versão internacional da Bíblia foi lida - mas o Espírito não estava ali. O pregador orou pela congregação, pela comunidade; agradeceu a Deus pelo Evangelho - mas o Espírito não estava ali. Depois do culto a congregação em silêncio foi para casa, tão consciente quanto o seu pastor de que as coisas ali não estavam como deveriam estar, nem como poderiam estar, já que eram de uma igreja que representava o Deus verdadeiro”.
O que acontece em nossas igrejas atualmente é um culto à luz dos incrédulos, que estão ou por acaso na igreja naquele dia ou convidados. Não podemos e nem devemos intimidá-los ou iludi-los. As músicas tocadas devem ser de grupos musicais conhecidos. A leitura da Palavra deve ser rápida e curta. E é claro, os sermões devem abordar assuntos que agradem aos incrédulos, como a solidão, falta de esperança, falta de contentamento, mágoas, dificuldade de criar os filhos adolescentes, etc., e assim, os incrédulos, agora supostamente convertidos, devem ser encorajados a participarem de pequenos grupos ou de um curso bem facilitado sobre as doutrinas básicas que a igreja, melhor, que nós cremos. Isso é o que vemos hoje.
Talvez eu e muitos outros estejamos enganados, e oxalá que estejamos mesmo. Enganados em relação ao contexto em que a Igreja está se envolvendo. Mas volta e meia, surge uma inquietude de alma dizendo “Não estáo”. O perigo que a Igreja aparentemente não percebe ao se tornar mais contextual é que ela aos poucos está se tornando mais parecida com o mundo. Está perdendo a característica fundamental, Jesus Cristo. A Igreja passa a se interessar por uma autonomia na adoração e uma espécie arbitrária de controle humanista. Essa Igreja contextual acaba roubando dos homens a liberdade que é encontrada somente no nome de Cristo, lhes dando algemas, que os prendem nas regras e regulamentos impostos pelos homens. Em uma busca de tentar fazer a Obra na situação em que a sociedade se encontra, a Igreja se vale de tudo. Utilizam desde discursos psicológicos até a manipulação das ordenanças e do serviço de adoração. Se ao promover jogos, comédias, piadinhas, vídeos de rock, sermões ao estilo pop-psicológico faz com que a igreja atraia incrédulos, então a adoração bíblica deve ser ignorada, negligenciando um dos princípios que regiam a nossa Igreja, a “Sola Scriptura”, ou Somente as Escrituras. Começam a se pregar um pouquinho de Bíblia aqui, com um pouquinho “Daquele homem que morreu na cruz” ali, e por aí vai. O que mais me entristece é que entre esses incrédulos que são atraídos pela essa tal Igreja contextual existem pessoas realmente ávidas por Deus, ávidas por algo mais na suas vidas. Pergunto-me se realmente elas conseguem isso nos “caminhos” que a igreja está tomando. O interessante que mesmo assim, Deus na Sua infinita misericórdia age por essas pessoas. Porém, ainda sou incomodado e até criticado pelos ditos doutos em Cristo, pelos “crentes”. Tentam dar um ar de puritanismo à igreja ao fazer a Obra, ao tentar ser contextual, mas na verdade estão dando um ar de apostasia a igreja. Vale ressaltar e até pedir perdão, pois até agora parece que estou falando da Igreja como todo, mas não estou; ou estou, mas permaneço covarde ao aceitar o que eu vejo. O que eu vejo é uma miscelânea de doutrina bíblica com doutrina de algum filósofo secular, sem contar com um ecumenismo encubado que estamos vendo ultimamente. E com isso, o povo de Deus não percebe que ao tentar se contextualizar, a igreja envereda por descaminhos, onde o ensino, o aconselhamento, a pregação estão carregados de psicologia-pop, de uma auto-estima néscia, com modelos de liderança de negócios ou com teorias sociológicas de crescimento e enriquecimento pessoal, a famosa “Teologia da Prosperidade”. O que me dói mais e creio que não só em mim, é que muitos dos líderes das igrejas no Brasil já perceberam isso e tentam camuflar esses descaminhos. Creio que o Senhor levanta pessoas para clamar, para lhes falar a respeito disso, mas acabam sempre sendo ignoradas, sempre sendo feitas pedras.
Até aqui, muitos que leram esse artigo devem estar pensando que sou contra a contextualização da igreja. De fato, estou sim, contra esse tipo de contextualização, em que se esquece a essência da igreja primitiva. Creio que os caminhos que a igreja está tomando acaba por descaracterizar a presença de Cristo. Um caminho para a igreja contextual? Jesus Cristo. Não podemos perder isso de vista. Se para a igreja se tornar mais contextualizada, ela deva parecer mais com o mundo, questionarei se realmente esse é o meu lugar. Devemos, como salvos no Senhor, estar atentos às verdadeiras necessidades dos incrédulos, pois se oferecermos qualquer vulgaridade e superficialidade estaremos cometendo o pecado de os enganarem com uma “deidade indigna da atenção deles”. Só quando a Igreja voltar a ser simples, verdadeiramente espiritual, calorosa, reverente ao Senhor, substancial a Palavra, caracterizada por orações espontâneas, com louvores de mensagem profunda, acabam se tornando os melhores caminhos para uma igreja contextual; melhor, as conseqüências disso acarretarão nos caminhos para uma igreja contextual.
Mas enquanto comentava e refletia sobre a produção desse artigo durante as aulas do meu seminário, ouvi muitas críticas dizendo que essa minha reflexão é ínfima em relação as “conquistas” da igreja atualmente. Faço minhas palavras as de Thomas Watson, quando disse “Existe mais mal em uma gota de pecado do que em um mar de aflição”.
Ah, não posso esquecer de finalizar com o final daquela ilustração que pouco antes lhes havia começado. Diz assim:
“Então o Espírito de perdão, há tanto tempo entristecido, modestamente voltou silencioso e soprou sobre todos eles. “... Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo... Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à igreja” (Ap.3:20).


Apenas um pagão convertido,
Ronaldo Júnior.
14 de Maio de 2007

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A (IN)Utilidade de ser Cristão



Acordei. Depois do ritual da manhã (lavar o rosto, escovar os dentes, tomar café, ler a bíblia, fazer oração) sai de casa rumo ao trabalho.

Pelo caminho deparei, com o que classificamos a escoria da sociedade. Indigentes, moradores de rua, jogados na calçada, embriagando-se, sem nenhuma perspectiva de vida. Tive dó. Mas logo meu senso moral me fez chegar a seguinte conclusão: a culpa era deles. Bando de vadios, alcoólatras. E assim, prossegui em paz, agradecido a Deus por não ser como eles.

Hora do almoço. Arroz, feijão, carne, salada, refrigerante ou suco. Sobremesa. Senhor Jesus obrigado por essa refeição, foi a oração que acompanhou esse momento sagrado. Logo após encontrei-o: um homem com seus filhos e mulher desempregada, morando de aluguel e salário maravilhoso de R$350, 00. Suas refeições muitas vezes sem a saborosa mistura, as crianças sem o leite para o café da manhã. As crianças ajudando o pai catando papelão e latinha na rua, sem tempo de ir à Escola, praticar esportes, ler livros, ver desenho animado - se não trabalhar não come. Ao ouvir o relato fiquei espantado e indignado com o governo e a sociedade! Culpei-o por fazer tantos filhos, por ser inconseqüente, irresponsável e alienado. E fiquei satisfeito por saber que a vida não esta fácil pra ninguém. Antes de despedi-lo, lhe dei-lhe um folhetim de evangelismo com o endereço da igreja. Nesse, estava escrito que ele era um misero pecador e estava condenado ao inferno. Ficou feliz. Até que enfim encontrou razão para tanto sofrimento. Para o inferno que estava vivendo. A culpa era de Deus.

Ele se foi. E eu agradeci a Jesus por não ter vergonha de anunciar o evangelho. Afinal de contas, que ousadia a minha. Mais um folheto entregue!

Chegando em casa, tomei um belo banho. Entre varias peças de roupa, escolhi a mais nova. Diante a vários pares de sapato, achei um que combinasse com a roupa. Propus-me a jantar, e que jantar abençoado... Em seguida fui à igreja. Orei. Cantei louvores. Li as Sagradas Escrituras. Gritei aleluia, gloria a Deus. Que coração quebrantado. Escutei pacientemente um maravilhoso e longo sermão sobre as bênçãos de Deus por ser seu filho. Após o culto, o comentário habitual - fofoca gospel era sobre ela. 17 anos. Quando criança ate freqüentou a igreja. Agora esta grávida. O pai do bebe. Está preso. Traficante e bandido, tem 18 anos e ainda não tomou rumo. Eles mantêm relações sexuais na cadeia. Culpada é a mãe. Prostituta. Que exemplo deu a filha! E foi ela quem mandou namorar marginal!

Fui pra casa, assistir televisão. Corrupção, desigualdades sociais, mortes, estupros, tráfico, policia invadindo o morro, o morro invadindo a cidade, PCC, mensalão, máfia de sanguessugas. Era o relato do jornal de mais um dia nesse mundo que jaz no maligno. O capeta. A culpa e toda dele.

Antes de deitar, li a bíblia e fiz a oração da noite: “obrigado Jesus por me abençoar tanto, pela salvação. Ah! Quero te fazer um pedido. Preciso ganhar mais no meu emprego para obter mais conforto. Preciso prosperar, afinal sou dizimista fiel...” enquanto orava adormeci na minha confortável e segura casa, no meu colchão de R$900,00.

Fonte: Pavablog

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O profetismo da Teologia



Aos que escolheram não ser iguais...

A teologia causa medo. Ela traz crises. Dolorosos e férteis conflitos. Para os mais conservadores e fechados à novidade, ela anula a fé simples. Uns dizem: “prefiro a fé simples àquela pregada pelos teólogos”. Enquanto outros do mesmo grupo afirmam: “A teologia deve servir a Igreja, é para essa instituição que ela foi criada”. Desde que entrei nas esteiras do fazer-teológico, escuto, de forma repetida, muitas palavras contrárias ao profetismo da teologia, que se mostra como adversário, contrário ou “fora da visão” de certos modelos e instituições. Diante dessas considerações, nasce a pergunta que procura trazer sinais a essa realidade que levantei: a teologia está a serviço de quem ou de que instituição?


Teologia é antes de tudo hermenêutica, interpretação. Um esforço profundamente humano de compreender a ação e o amor de Deus por meio da realidade. A teologia se mostra, assim, como ato segundo (Gustavo Gutierrez). Ela procura falar sobre a vontade de Deus para o mundo e para a humanidade a partir da vida. Dessa forma, ela procura, sendo hermenêutica, trazer críticas, perguntas e algumas respostas às indagações que são geradas em nossas Igrejas e em nossa sociedade. A vida torna-se o primeiro passo, assim como fez Jesus. Antes das pedras da lei, que matariam a mulher adúltera, existe a vida de quem não tem sentido e estava sendo vítima de uma religião opressora e legalista (João 8). Ao se fazer teologia, não devemos partir de conceitos, embora com eles nos sentimos mais seguros. A vida é o centro! Dessa maneira, a teologia fortalece a fé. Não a fé que deseja ficar presa no monte da transfiguração (Marcos 9) em cabanas para aprisionar e privatizar o sagrado. Uma fé simplória e egoísta. Mas fortalece uma fé movida por uma espiritualidade da descida, que se encarna no mundo, nas planícies, lutando contra os sinais de morte (Marcos 9) e partilhando os pães e os peixes para que ninguém tenha fome (Marcos 6)!


Com estas palavras, volto à pergunta: a teologia está a serviço de quem ou de que instituição? Karl Barth, teólogo alemão, apresenta a tensão existente entre Igreja e Reino de Deus. Aqui está um ponto importante da minha reflexão. O Reino de Deus não é a Igreja! Ela faz parte deste reinado, mas indubitavelmente, o Reino é maior que as nossas estruturas eclesiásticas. A Igreja é um lugar construtor de teologia, mas não tem o monopólio do pensar a fé (ainda bem!). A teologia serve ao Reino de Deus, que está centrado na vida! Esta é a mensagem central do Nazareno, o reinado que se mostra contra a idolatria: do mercado, dos nossos conceitos, das nossas instituições provisórias e falíveis (Barth); reinado que tem como destinatários preferenciais as vítimas, os mais pobres, lutando pela vida justa (Jon Sobrino); reinado que caminha para a nova criação, salvando todo o mundo e a humanidade (Jüngen Moltmann). Sabemos que algumas teologias preferem outras trilhas, mais comerciais. Mas a que caminha pelos passos de Jesus não servirá aos projetos do anti-Reino, não servirá a Igreja enquanto esta instituição caminhar contra a vontade de Deus e contra o evangelho do Cristo... A boa teologia estará a serviço das Instituições quando elas forem porta-voz e testemunha do Reino, visando o bem-estar integral do ser humano e da criação.


A teologia é profética e será contrária a fé que domestica, que iguala (uma produção em série de novos fiéis), que reproduz respostas mofadas para situações novas. Não quero para os meus estudos seguir essa teologia nem esta fé. Elas respondem apenas às necessidades do mercado e de uma sociedade tecnológica, por esses caminhos, seria apenas um teólogo funcional: seguiria o mesmo, defenderia a luta contra o diferente, me basearia só em conceitos, lutaria pelos interesses privados... Mas, prefiro a crise à conformidade. Prefiro ser profeta queimado nas fogueiras da inquisição a ser profeta institucional. Prefiro sentar-me com a samaritana, com as prostitutas, com os que comem e bebem a sentar-me com os saduceus, os donos do templo. Prefiro comer com as mãos sujas e entrar na festa do Reino em Caná a me lavar nas águas da religião, que com Jesus foram transformadas na alegria do vinho. Mesmo que eu afunde por alguns momentos, prefiro uma fé que me lance no mar tempestuoso ao encontro daquele que sigo a ficar no barco seguro... Por fim, prefiro a teologia que caminhe pelo profetismo, pois nela não silenciamos a nossa voz, as nossas idéias, permanecemos na acidez da denúncia e na poética esperança do Reino...

Fonte: Daniel Souza, mais que um amigo, um irmão, companheiro de Caminhada.

terça-feira, 30 de junho de 2009

"Labassurioderra"... Sem comentários...

video
Letra: Labassurionderrá - Graça Ramalho

Veja Irmão o lugar que eu andei
Falo do anjo que eu pôde contemplar
Ele é lindo, estreitinho e maravilhoso
E o nome do Lugar e Labassurionderrá

I plá, plá, plá, plá
iplá Labasurionderrá
I plá, plá, plá, plá
Não diminue e nem também posso aumentar

Veja irmãos que eu ainda vou falar
Deste anjo que eu pôde contemplar
Ele tinha as veste branca, ôlhos de fogo meus irmãos
Só lhe falo doque eu pôde contemplar

I plá, plá, plá, plá
iplá Labasurionderrá
I plá, plá, plá, plá
Não diminue e nem também posso aumentar

Veja irmãos que eu ainda vou falar
Deste anjo que eu pôde contemplar
Ele é alto e o cabele caracolado, meus irmãos
Só lhe falo doque eu pôde contemplar

I plá, plá, plá, plá
iplá Labasurionderrá
I plá, plá, plá, plá
Não diminue e nem também posso aumentar

Veja irmãos que eu ainda vou falar
Deste anjo que eu pôde contempar
Ele é lindo estreito e maravilhoso
e o nome deste anjo é labassuriondêêê

I plá, plá, plá, plá
iplá Labasurionderrá
I plá, plá, plá, plá

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cristo, O Herege.


A palavra heresia origina-se do grego hairesis e denota doutrina contrária ao que foi definido pela cúpula de uma instituição religiosa. Em grego, hairetikis significa “o que escolhe”. A heresia é, então, uma ruptura com o dominante. O “escolher” é o grande pecado do herege, ao mesmo tempo em que pode se constituir numa legítima denúncia da corrupção e dos desmandos dos “homens de Deus”.

Então sendo assim, herege é aquele que professa uma doutrina contrária aos dogmas da Igreja.

Em “Religião e Repressão” Rubens Alves diz:


"Heresia e ortodoxia são palavras criadas pelos ortodoxos. Mas, como já indicamos antes, ortodoxos são aqueles que tiveram o poder para impor as suas idéias.

Heresia e ortodoxia têm muito pouco a ver com falsidade e verdade. São formas transversas de indicar perdedores e ganhadores. Ora, não se conhece nenhuma situação em que os ganhadores tivessem tido qualquer interesse em abrir mão do poder. O poder deseja sempre perpetuar-se. E esta perpetuação exige também a perpetuação das idéias que dão aos poderosos a sua aura divina.
Vitória é interpretada como verdade, e a derrota é idêntica à falsidade.

A última palavra sobre a verdade revelada, portanto, não é a voz desta verdade, mas é a voz que, pelo seu poder político, é capaz de silenciar os dissidentes e declarar a questão como encerrada."



Quando homens questionaram e duvidaram da ortodoxia da verdade vigente foram chamados de hereges.

Cristo segundo os monopolistas da verdade que faziam vigorar era um herege por que questionava e não se curvava à verdade vigente que Ele sabia que não era verdade.

O que não pode mudar por comodismo da ortodoxia é uma verdade caduca. Caduca por que é regra e lei sendo que na verdade a verdade (sic) é libertária e militante contra toda verdade imposta.

O evangelho apresenta está verdade militante que combate o bom combate e que muda toda uma verdade que foi imposta para a comodidade de poucos.

Cristo é herege no melhor sentido da palavra por que muda meias verdades que nunca serão uma verdade.

Toda a meia verdade que não é uma única verdade e que é a ortodoxia de uma religião caduca deve ser combatida com a heresia da única verdade que liberta. A heresia é libertária quando questiona as regras da fé vigente desregrando a fé de graça pela graça.

As regras das meias verdades estão fora da verdade por que os que fizeram tais regras escolheram as suas vaidades como verdade, sendo assim transcorrendo uma corrente de tornar aquilo que eram comuns a si mesmos como algo comum a todos como se o “si para si” fosse à verdade de todos.


As meias verdade dominam pela concretização dos desejos de uma longa lista histórica de líderes religiosos que denota antes mesmo do próprio Cristo.

E a “desconcretização” (sic) pela verdade, dentro de uma argumentação militante é impor-se contra muros de uma valorização da verdade que por ser meia é caduca, mentirosa e ortodoxa.


Lembremo-nos que Cristo questionou e militou apontando contra as meias verdades caducas dos ortodoxos de sua época foi tido como um herege, e ainda houve tantos outros exemplos de bons hereges encontrados através da história.

Fonte: Lion of Zion

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Carta de repúdio à Igreja


Como cristão evangélico no atual contexto brasileiro me envergonha o fato de ser conhecido como ‘missionário’ ou ‘evangélico’ nesse país. Não é difícil ouvir piadas e chacotas do tipo: “Ah, você é missionário! Mais um que se aproveita para tirar o dinheiro dos trouxas!?”; “evangélico, humm... então é mais um que ta ajudando a enriquecer pastor!?” Alguns “crentes” vêem esse tipo de comentário como “perseguição do inimigo”. Mas, com a atual prática daqueles que se dizem evangélicos no Brasil, o ‘inimigo’ não tem muito trabalho. Ele deve mesmo é estar se divertindo com tanta bobagem e mediocridade. Uma vergonha para aquela que deveria ser a igreja do Senhor!

O que está acontecendo? Será a grande tolerância religiosa que existe em nosso país que coopera para o surgimento de tanta esculhambação? Se for isso, então oremos ao Senhor por uma perseguiçãozinha! Peneira Senhor!

Reafirmo o meu compromisso e a minha fé no Deus Pai, Criador de todas as coisas, no Filho Jesus Cristo, Senhor e salvador para todos aqueles que crêem e confessam o Seu nome e, no Espírito Santo, consolador, santificador e que convence do pecado. Creio na Bíblia como documento base da revelação da vontade de Deus. Creio na salvação pela fé que é graça, isso mesmo, graça de Deus. Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida para todos que nele crêem.

Assim, repudio toda e qualquer tagarelice crentesca que em nada lembra o amor e doação de Jesus Cristo em favor de uma humanidade em pecado. Repudio ser confundido com os mercenários da fé que usam técnicas enjoativas de marketing para manipular a ingenuidade e a ignorância de um povo sofrido. Repudio a forma como se manipula a Palavra de Deus para fazê-la dizer aquilo que interessa a mesquinhez dos gananciosos de púlpito. Repudio a teologia da prosperidade que se revela eficaz, sim, mas somente aos seus proclamadores. Repudio a arrogância daqueles que por gritarem mais alto, fazerem mais barulho e possuírem líderes carismáticos do tipo apresentador de programa de auditório se acham mais espirituais do que a igreja da outra esquina. Repudio a prática que faz da igreja um negócio rentável que vê nas outras denominações apenas uma empresa concorrente. Repudio a mistura mística que se introduziu nos cultos e na vida do neoevangélico fazendo-o dependente de objetos, símbolos e amuletos defendidos como bíblicos. Repudio o modismo gospel que vive de shows, camisetas e adesivos, enquanto apresenta uma espiritualidade rasa e sem ética. Repudio a prática de pastores que se dizem mais pertos de Deus e, por isso, mais preparados para conseguir aqueles favores de que o povo precisa. Repudio os que se auto-intitulam apóstolos, bispos e profetas portadores de uma nova revelação divina. Repudio as editoras e gravadoras ditas evangélicas que não possuem mais qualquer critério que não o lucro para publicar seus livros e vender CDs. Repudio a prática que transforma a igreja num mero shopping center de bênçãos a serem colhidas nas prateleiras espirituais. Repudio a ignorância teológica que nega a razão e vive de experiência em experiência...

Haveria ainda muita coisa a repudiar. Mas creio que me fiz entendido. Se for isso que vemos hoje o que chamam evangélico; se é esse o testemunho dado por missionários e pastores brasileiros, então não faço a mínima questão de ser reconhecido como tal. Alguns vão me chamar de radical, outros de preconceituoso ou intolerante. Ora, se as palavras ‘evangélico’, ‘crente’, ‘pastor’ e ‘missionário’, que deveriam sugerir exemplo de integridade e caráter causam vergonha, talvez outras palavras, antes de conotação negativa, possam retratar melhor aquilo que deveríamos nos tornar hoje... Afinal, qual é a alternativa?

A igreja que busca compromisso com o evangelho de Jesus Cristo carece urgentemente de ousadia para algo nada novo: Pregar a Palavra de Deus. E isso sem medo de ouvir o que o próprio Cristo já ouviu após se apresentar como o pão da vida: “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” (Jo 6. 60). E se daquela hora em diante muitos dos seus discípulos voltarem atrás e deixarem de segui-lo (Jo 6. 66) querido pastor e missionário, não se preocupe, talvez estivessem interessados somente no pão. Ou, realmente seguiam somente a você e não a pessoa de Cristo que você nunca apresentou antes. Porém, mesmo Cristo foi abandonado e não apelou por isso...

Fonte: Ultimato
Autor: Rodomar Ramlow

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Gospelândia em Cordel




Com a chegada da INTERNET,
......O mundo agora encurtou.
......É que um país bem distante,
......Da gente se aproximou.
......Para provar sua douçura,
......É pra lá mesmo que eu vou.


......Deixei todos meus pertences,
......Para poder lá entrar.
......Troquei minhas vestimentas
......Por um horroroso “abadá”.
......Puseram então no meu rosto,
......Uma máscara de tafetá.


......É um país desmiolado,
......Que todo dia tem festa.
......Para assistir aos seus shows
......Se leva um sinal na testa,
......Com os dizeres escritos:
......Aqui “Deus” se manifesta.


......Uma barulheira infernal
......Me deixou atordoado.
......De frevo, axé e samba,
......Eu já estava enjoado.
......O brado que mais se ouvia
......Era: “está tudo amarrado”.


......No meio da Gospelândia,
......Um grande palco existia,
......Onde os fariseus de Deus,
......Seu “espírito” recebia.
......Eu achei muito esquisito,
......Pois macumba parecia.


......Senti falta da Palavra,
......E ao pregador perguntei:
......Onde aqui se lê a Bíblia?
......Respondeu-me: eu nada sei,
......E ainda disse por cima:
......Dela eu nunca precisei.


......Você não estuda a Bíblia?
......Perguntei interessado.
......Ele respondeu na bucha:
......Ela me deixa estressado,
......É melhor viver aqui,
......Onde o mal tá dominado.


......Disse ainda para mim:
......Aqui eu tenho sossego,
......Não preciso de Jesus,
......Para viver o meu chamego.
......E pra tirar todo aperreio
......Tem sessão de descarrego.


......Eu fiquei estarrecido
......Quando sério me falou:
......Tenho tudo e nada falta,
......Temos coisa de valor,
......Abriu então uma caixa,
......De amuletos. Que horror!


......No país da Gospelândia
......Pobreza é maldição,
......As doenças são demônios,
......Pecado é ter aflição.
......Prosperidade é dinheiro,
......O estudo abominação.


......Um profeta gospel falou:
......Se vivemos em realeza,
......Com ouro, prata e saúde,
......Tendo tudo com moleza,
......Burrice é pregar o céu, ......
......Sendo dono de riquezas.


......Retirei a minha máscara,
......Despi-me da fantasia,
......Voltei para minha terra,
......Do mal de todos os dias.
......Desisti da Gospelândia,
......Pra ter Cristo como guia.



......Prosa em versos por Levi B. Santos
fonte: http://levibronze.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de junho de 2009

E pra quem acha que já viu de tudo...


... até que Jesus tem a letra "bunitinha" hein...!
Tá amarrado! Melhor... tá assinado.

Eparrei Jeová! ( Macumba Evangélica)


Por João Barbosa Júnior


Já faz tempo que venho dizendo que muitas de nossas igrejas têm perdido o rumo. Não precisa ser profeta e nem um “expert” em teologia para perceber como de forma gritante temos nos afastado da simplicidade do evangelho de Cristo.

Nesses muitos caminhos e rumos que a igreja dita “evangélica” no Brasil tem tomado, um dos que mais me preocupa é a proximidade com o “baixo-espiritismo”. Aquilo que era um de nossos maiores “inimigos” parece que se transformou em modelo. Não é impossível hoje traçar paralelos entre alguns cultos “evangélicos” (principalmente os do “baixo-pentecostalismo”) e alguns rituais de terreiros de umbanda.

Em muitos de nossos encontros percebemos claramente a tendência espírita-pentecostal. Um grande amigo certo dia me telefonou muito preocupado. “- Junior, transformaram minha igreja num terreiro... o pessoal chega lá, canta, canta, canta, até entrar em transe e algum profeta “receber” o espírito e então ‘entregar’ a palavra... igualzinho nos terreiros de macumba onde os atabaques ficam tocando até o espírito-guia ‘descer’ e encontrar seu cavalo.”

Pensei naquele momento que ele tinha toda a razão. Parece que só muda o nome do “guia”. Penso que não demorará o dia em que estaremos em algumas dessas “igrejas” e em determinado momento escutaremos sem vergonha alguma: “Eparrei, Jeová... humm.... eis que te digo... mizinfio precisa de sacrificar mais alguma coisa pro ‘espírito santo’ se apossar de vosmincê...”

Outro dia mesmo ouvi de uma “tia” que ia à casa dos irmãos para “orar os cômodos” e afastar as maldições. Lembrei-me de meus tempos de infância quando, ainda ignorante acerca do evangelho, apreciava as benzedeiras que além de “rezar” as crianças (eu mesmo fui “rezado” algumas vezes) visitavam nossas casas para afastar os “maus-olhados” (mas não acabavam com nossos olhos maus).

Permitam-me um adendo aqui. Muitos devem estar perguntando se eu já fiz oração quebrando essas maldições. Não! Quando cri em Jesus e entreguei minha vida ao seu senhorio, o seu sangue lavou-me completamente. Não precisei de uma segunda dose do sangue para me livrar de maldições passadas, o seu único sacrifício foi suficiente. Naquele dia nasci de novo... TUDO se fez novo.

Voltando ao assunto do espiritismo evangélico, essa prática espírita já tomou sua roupagem evangélica através das “tias”, dos “profetas” e tantos outros “irmãos abençoados” que fazem da sua principal missão perseguir o diabo e seus demônios e encontrá-los camuflados e escondidos nos cômodos de nossas casas. Quase sempre eles gostam de se esconder em objetos “sacrificados” aos ídolos, filmes da Disney (herança das pregações assustadoras do Josué Yrion), discos “mundanos” (eu ainda espero completar minha coleção de música “jupiteriana”), e qualquer outra coisa que ofenda o gueto evangélico.

Fico pensando quando é que vão perceber que há muito mais maldição em nosso meio, através de falsos líderes, movimentos que anulam a graça, como o movimento re-judaizante, encontros místicos com regressões e mantras evangélicos, pastores-bispos-apóstolos mentirosos que têm levado suas igrejas a perderem o rumo para perpetuarem seu nome (o nome do líder). Isso sim traz maldição, pois enganam o povo em nome do Deus altíssimo.

Minha esperança (eu ainda tenho esperança) é que um dia a igreja que se diz evangélica REALMENTE se volte para o Evangelho puro e simples revelado por Deus em Sua Palavra e abandone essas práticas animistas-espíritas, onde seres humanos servem de “cavalos” à sede de poder e autoridade deles mesmos e de seus falsos-pastores.

Só queria ouvir “Misericórdia, Senhor!” ao invés de “Eparrei, Jeová!”

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Eu não evangelizo...


Se evangelizar é encontrar uma pessoa na rua e com toda cara de pau dizer "Jesus te ama" e dar as costas, eu não evangelizo.

Se evangelizar é tocar hino nas praças e ir para casa se achando o máximo, eu não evangelizo.

Se evangelizar é ir numa marcha para fazer propaganda de igreja e cantores, eu não evangelizo.

Se evangelizar servir para arrastar pessoas para igreja quando tem festinhas com comida e montar esquemas para ela se sentir bem-vinda somente naquele momento, eu não evangelizo.

Se evangelizar é entregar folhetos que serão jogados no chão e criará mais sujeira nas ruas, eu não evangelizo.

Se evangelizar é pregar com base para embutir culpa nas pessoas bombardeando-as com idéias de pecado e conseqüentemente o inferno para os maus e céu para os bons, eu não evangelizo.

Se evangelizar é convencer as pessoas a se protegerem do mundo dentro de uma igreja que acaba se tornando um bunker contra toda guerra espiritual e ofensivas do diabo, eu não evangelizo.

Se evangelizar é sistematizar o Evangelho, eu não evangelizo.

Agora se evangelizar é caminhar junto, estar presente na vida das pessoas, ser ombro amigo, chorar e rir em vários momentos, então eu creio que eu evangelizo.

Afinal entendo que o maior evangelismo de Cristo, foi estar ao lado, foi comer junto e presenciar toda a aflição e alegria do teu próximo.

Creio que evangelizar é sinônimo de relacionamento. O verdadeiro evangelho não é feito de seguidores e sim de amigos.

Portanto, se evangelizar é partilhar o pão nosso de cada dia, eu evangelizo.

Marco Finito, no blog Lion of Zion.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Penso? Se penso, logo busco


Muitas pessoas recorrem ao pagamento de terceiros para pensarem em seu lugar. Tornamo-nos uma sociedade dependente do ponto de vista de especialistas. O espaço que nos é concedido para refletir, entreter-nos e questionar sobre os mistérios do dia-a-dia encolheu."Michael R. Legault

Parece que uma característica de nosso tempo, aliás, bastante acentuada, é a de nos livrarmos de problemas o mais rápido possível, ainda que tenhamos de pagar caro por isso. Claro que, implicitamente, encontra-se a questão de escaparmos de maiores responsabilidades.

Por exemplo, se seu filho está tomando e solicitando mais do que você pode dar a ele, contrate uma boa escola, leve-o ao psicólogo, matricule-o em mais um curso qualquer; ao menos, enquanto estiver por lá, a responsabilidade será deles.

No ambiente de trabalho, para que ficar se ocupando com tanta pressão e cobrança? Repasse a outrem sempre; se errar, inclua o outro, livre-se da responsabilidade. E, de quebra, saliente sua capacidade de delegar ou trabalhar em equipe!

Se, em sua vida pessoal, estiver enfrentado problemas e encontrar-se cansado demais e/ou com medo de assumir a responsabilidade da decisão, simples: vá a um psiquiatra, um clínico geral, pegue algumas pílulas de "felicidade" e exija que eles mostrem qual a melhor decisão a ser tomada. Para os crentes, fica ainda mais fácil; afinal, para que se tem um pastor? Nada como uma visitinha ao gabinete pastoral. Lá se expõe o problema e espera-se que ele dê a solução.
A máxima, bem disfarçada, é "terceirize suas responsabilidades e livre-se de incômodos". Não perca tempo pensando, aja. Sem dúvida, nossa arrogância ou ignorância atrapalham muito nossa vida. Buscar a ajuda das pessoas pode ser fundamental, mas a preocupação é essa tendência geral de nos acomodarmos, fugirmos da responsabilidade, uma espécie de preguiça generalizada. E ainda nos achamos eficientes por "resolvermos" rapidamente os problemas. Um verdadeiro perigo!

Poderíamos dizer que existe até uma acerta recusa moderna (pós ou hiper) a pensar. Como diria Rubem Amorese em seu livro Excelentíssimos Senhores, vivemos um "charmoso irracionalismo intimista: não pense, sinta; não entenda, usufrua; não busque, receba; não caminhe, vibre; não se esforce, relaxe; não compreenda, intua. E você será tão mais moderno quanto mais conseguir viver essa irracionalidade esotérica".

O famoso cineasta norte-americano David Lynch, 62 anos, esteve no Brasil em 2008 pela primeira vez. Sua visita, no entanto, não foi para falar de cinema, nem para tirar férias, mas sim especificamente para a divulgação do livro Em Águas Profundas: Criatividade e Meditação. Publicado nos EUA em 2006, virou best-seller. Em toda e qualquer entrevista, ele não pára de falar sobre os benefícios da meditação: "É dinheiro no banco. Não tem erro. Meditar é como mergulhar em um cofre cheio. Cada vez que vai lá, consegue pegar umas moedas", diz ele à revista Serafina (jornal Folha de S.Paulo - agosto 2008). E continua, sendo taxativo: "Apenas faça, depois siga com a sua vida e veja tudo melhorar". Ele tenta esclarecer: "Não é religião, não é culto, é uma técnica que permite que você chegue até a felicidade infinita, a inteligência infinita, a criatividade infinita, o amor infinito. A negatividade vai embora e leva junto a depressão, a melancolia, o desejo de vingança. Você medita e, BUM!, atinge a iluminação". Ousado, ele quer parceiros para incluir a meditação transcendental no currículo de escolas e universidades brasileiras.

Veja que, segundo ele, parece que todos os problemas serão resolvidos através da meditação transcendental. Desde depressão até questões financeiras, basta meditar - eis a solução pra tudo. A proposta é bem diferente da meditação cristã, que há séculos vem abençoando o povo de Deus. Aqui no Brasil, Osmar Ludovico (leia Meditatio - Ed. Mundo Cristão) tem sido um dos que nos ajuda a compreender sua importância e significado para a vida em Cristo.

Parece que Richard Foster (Celebração da Disciplina) estava certo ao afirmar que "a superficialidade é a maldição de nosso tempo" . Nossa estranha e confusa época tem apresentado soluções bastante questionáveis, porém - como o pensar não anda em alta e, às vezes, é tido até como ofensivo -, muitos têm aderido. Sedentos pelo caminho mais largo, por repostas instantâneas, soluções mágicas, regras que facilitem a vida, muitos têm aderido às propostas mais malucas.

O perigo, tão grande ou maior, se mostra em algumas propostas parecidas, mas com roupagens "cristãs"; como, por exemplo, a teologia da prosperidade, que tanto cresceu em nosso país, ensinando ao povo que basta ter fé e saber bem usá-la numa negociação com o divino.

Ao que tudo indica, a facilitação da vida, preferencialmente com respostas rápidas, fáceis e que funcionem, exerce um fascínio muito grande sobre a humanidade. Se funciona por pouco tempo, se apenas mascara algo muito maior que precisa ser tratado, se inibe o desenvolvimento em outras áreas, se outros são prejudicados; isso tudo parece pouco importar.

O sociólogo e mestre cristão Paul Freston, em seu livro Fé Bíblica e Crise Brasileira, insiste: "Ser evangélico deveria significar ser radicalmente bíblico. Ao invés de fetichizar a Bíblia, honrando-a como símbolo, temos de levá-la a sério, por meio do trabalho árduo de interpretação e aplicação".

É importante observarmos o que o apóstolo Paulo nos diz a respeito de um culto racional, de cristãos que não tomam a forma deste mundo e - vale considerar, em nosso caso - não aderem ao "jeitinho brasileiro" (Rm 12.1,2). E também o vemos admoestando os irmãos em Corinto: "Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também com o entendimento" (1Co 14.15). E ainda não suaviza quando pede com toda a autoridade: "Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa" (1Co 15.34).

Que Deus nos ajude a termos bom senso diante de dias tão turbulentos, com pessoas tão apressadas e prontas a aderirem a propostas perigosas, optando por viver sem refletir mais seriamente e transferir responsabilidades a outros. Que haja em nós um sentimento saudável de estranhamento, que nos leve a pensar com maior profundidade, que nos encoraje a observar nossos dias mais criticamente e nos anime a rever posturas e discernir melhor nosso tempo. Que o Espírito de Deus tenha a liberdade de nos incomodar e nos guie a toda verdade.



Por Taís Machado, psicóloga, Mundo Cristão