quarta-feira, 30 de maio de 2007

Caminhos para uma Igreja Contextual: Apenas Descaminhos Disfarçados



Igreja contextual. Muito se têm comentado e falado nos meios eclesiásticos sobre esse tema. Verdade que a Igreja tem se preocupado mais com assuntos marginalizados, como por exemplo, o papel da Igreja com os pobres, com os abandonados sociais, com meninos de rua, e principalmente com as pessoas que ainda não conhecem ao Senhor Jesus. O que se tem visto hoje é uma corrida, meio que desesperada, da Igreja de alcançar mais fiéis, de fazer “a Obra”. Mas, qual será a real motivação para isto? Em minhas reflexões, tenho sempre a sensação de que a Igreja faz isso como tentativa de limpeza de consciência, como se tentasse esconder algo que lhe aflige, como se tentasse compensar algo que lhe falta. Tenho pensado nisso nesses últimos tempos, e o Senhor sempre tem me incomodado com algo. Após uma observação e análise de reflexões de teólogos contemporâneos, ao se tratar de questões evangelísticas, pode-se pensar no papel do chamado culto “evangelístico”, Podemos ver esses cultos, em sua grande maioria, com um conteúdo insatisfatório das Escrituras e muito de conhecimento humano. No final, algumas pessoas sempre vão a frente, em sinal de conversão a Cristo. Mas surge algumas perguntas relevantes: Será que foram a frente em sinal a Cristo mesmo? Converteram-se mesmo ou se convenceram? Onde está Cristo nas nossas pregações? Sabemos que muitos falam dos caminhos para uma Igreja contextual. Muitos falam e apontam alguns caminhos, mas não observam o que estes causam para a Igreja Verdadeira; Na minha medíocre opinião, esses tais “caminhos” são na verdade, descaminhos disfarçados; São caminhos agradáveis aos incrédulos.
Uma das características da tal “Igreja Contextual” é a perda gradual da presença de Cristo, a revelação máxima de Deus. A Igreja de hoje... talvez essa pequena ilustração nos elucide um pouco sobre ela: “O grupo estava cantando animadamente, a bateria estava soando, os guitarristas estavam tocando animados com a audiência que cooperava batendo as palmas e os pés - mas o Espírito não estava ali. Eles cantaram por mais de uma hora, levando a uma emoção crescente, depois se sentaram com um sentimento de bem estar - mas o Espírito não estava ali. O pregador apresentou sua mensagem, contou suas estórias, fez todos rirem e chorarem - mas o Espírito não estava ali. Ele começou seu apelo, explicou apelando para que as pessoas viessem à frente para serem salvas, outras para que re-dedicassem suas vidas, outros para receberem cura interior, outros para compartilharem com os conselheiros a respeito dos seus problemas. Urna multidão veio à frente. Um homem disse a si mesmo, ‘Eu quero ser feliz como estas pessoas’, e foi à frente - mas o Espírito não estava ali. Depois do culto, quando as pessoas estavam conversando umas com as outras sobre suas atividades e planos, ninguém percebeu que o Espírito Santo não estava no seu meio.
Mais abaixo, na mesma rua, em outra igreja, o pastor anunciou os hinos que iriam cantar. Leram um salmo em uníssono, a congregação cantou - mas o Espírito não estava ali. A nova versão internacional da Bíblia foi lida - mas o Espírito não estava ali. O pregador orou pela congregação, pela comunidade; agradeceu a Deus pelo Evangelho - mas o Espírito não estava ali. Depois do culto a congregação em silêncio foi para casa, tão consciente quanto o seu pastor de que as coisas ali não estavam como deveriam estar, nem como poderiam estar, já que eram de uma igreja que representava o Deus verdadeiro”.
O que acontece em nossas igrejas atualmente é um culto à luz dos incrédulos, que estão ou por acaso na igreja naquele dia ou convidados. Não podemos e nem devemos intimidá-los ou iludi-los. As músicas tocadas devem ser de grupos musicais conhecidos. A leitura da Palavra deve ser rápida e curta. E é claro, os sermões devem abordar assuntos que agradem aos incrédulos, como a solidão, falta de esperança, falta de contentamento, mágoas, dificuldade de criar os filhos adolescentes, etc., e assim, os incrédulos, agora supostamente convertidos, devem ser encorajados a participarem de pequenos grupos ou de um curso bem facilitado sobre as doutrinas básicas que a igreja, melhor, que nós cremos. Isso é o que vemos hoje.
Talvez eu e muitos outros estejamos enganados, e oxalá que estejamos mesmo. Enganados em relação ao contexto em que a Igreja está se envolvendo. Mas volta e meia, surge uma inquietude de alma dizendo “Não estáo”. O perigo que a Igreja aparentemente não percebe ao se tornar mais contextual é que ela aos poucos está se tornando mais parecida com o mundo. Está perdendo a característica fundamental, Jesus Cristo. A Igreja passa a se interessar por uma autonomia na adoração e uma espécie arbitrária de controle humanista. Essa Igreja contextual acaba roubando dos homens a liberdade que é encontrada somente no nome de Cristo, lhes dando algemas, que os prendem nas regras e regulamentos impostos pelos homens. Em uma busca de tentar fazer a Obra na situação em que a sociedade se encontra, a Igreja se vale de tudo. Utilizam desde discursos psicológicos até a manipulação das ordenanças e do serviço de adoração. Se ao promover jogos, comédias, piadinhas, vídeos de rock, sermões ao estilo pop-psicológico faz com que a igreja atraia incrédulos, então a adoração bíblica deve ser ignorada, negligenciando um dos princípios que regiam a nossa Igreja, a “Sola Scriptura”, ou Somente as Escrituras. Começam a se pregar um pouquinho de Bíblia aqui, com um pouquinho “Daquele homem que morreu na cruz” ali, e por aí vai. O que mais me entristece é que entre esses incrédulos que são atraídos pela essa tal Igreja contextual existem pessoas realmente ávidas por Deus, ávidas por algo mais na suas vidas. Pergunto-me se realmente elas conseguem isso nos “caminhos” que a igreja está tomando. O interessante que mesmo assim, Deus na Sua infinita misericórdia age por essas pessoas. Porém, ainda sou incomodado e até criticado pelos ditos doutos em Cristo, pelos “crentes”. Tentam dar um ar de puritanismo à igreja ao fazer a Obra, ao tentar ser contextual, mas na verdade estão dando um ar de apostasia a igreja. Vale ressaltar e até pedir perdão, pois até agora parece que estou falando da Igreja como todo, mas não estou; ou estou, mas permaneço covarde ao aceitar o que eu vejo. O que eu vejo é uma miscelânea de doutrina bíblica com doutrina de algum filósofo secular, sem contar com um ecumenismo encubado que estamos vendo ultimamente. E com isso, o povo de Deus não percebe que ao tentar se contextualizar, a igreja envereda por descaminhos, onde o ensino, o aconselhamento, a pregação estão carregados de psicologia-pop, de uma auto-estima néscia, com modelos de liderança de negócios ou com teorias sociológicas de crescimento e enriquecimento pessoal, a famosa “Teologia da Prosperidade”. O que me dói mais e creio que não só em mim, é que muitos dos líderes das igrejas no Brasil já perceberam isso e tentam camuflar esses descaminhos. Creio que o Senhor levanta pessoas para clamar, para lhes falar a respeito disso, mas acabam sempre sendo ignoradas, sempre sendo feitas pedras.
Até aqui, muitos que leram esse artigo devem estar pensando que sou contra a contextualização da igreja. De fato, estou sim, contra esse tipo de contextualização, em que se esquece a essência da igreja primitiva. Creio que os caminhos que a igreja está tomando acaba por descaracterizar a presença de Cristo. Um caminho para a igreja contextual? Jesus Cristo. Não podemos perder isso de vista. Se para a igreja se tornar mais contextualizada, ela deva parecer mais com o mundo, questionarei se realmente esse é o meu lugar. Devemos, como salvos no Senhor, estar atentos às verdadeiras necessidades dos incrédulos, pois se oferecermos qualquer vulgaridade e superficialidade estaremos cometendo o pecado de os enganarem com uma “deidade indigna da atenção deles”. Só quando a Igreja voltar a ser simples, verdadeiramente espiritual, calorosa, reverente ao Senhor, substancial a Palavra, caracterizada por orações espontâneas, com louvores de mensagem profunda, acabam se tornando os melhores caminhos para uma igreja contextual; melhor, as conseqüências disso acarretarão nos caminhos para uma igreja contextual.
Mas enquanto comentava e refletia sobre a produção desse artigo durante as aulas do meu seminário, ouvi muitas críticas dizendo que essa minha reflexão é ínfima em relação as “conquistas” da igreja atualmente. Faço minhas palavras as de Thomas Watson, quando disse “Existe mais mal em uma gota de pecado do que em um mar de aflição”.
Ah, não posso esquecer de finalizar com o final daquela ilustração que pouco antes lhes havia começado. Diz assim:
“Então o Espírito de perdão, há tanto tempo entristecido, modestamente voltou silencioso e soprou sobre todos eles. “... Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo... Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à igreja” (Ap.3:20).


Apenas um pagão convertido,
Ronaldo Júnior.
14 de Maio de 2007

4 comentários:

Comunico, logo existo. disse...

Ronald
Muito dez o seu texto... vi em vc um pouco de Phillip Yancey, Caio Fabio, Ricardo Godim, Paulo Romeiro... pessoas assim como vc sabe o que quer e não se deixa levar.
Se cuida viu!!
Um abraço!!

daniel disse...

Querido profeta...
brilhante texto, continue nesse caminho, mesmo que para alguns "fariseus" de plantão seja um descaminho.

Grande abraço desse seu amigo, que também vive em meio a puritanos apóstatas.

evaldo disse...

Muito bom o comenterio, mas acho impossivel saber se o espirito santo está ou não. Realmente muitas igrejas esqueceram de Jesus,pelos frutos conhecereis, mas lembre-se que o joio e o trigo são muito parecidos,cabe a DEUS julgar,não devemos nos conforma, mas temos que ter cuidado.Boa sorte que DEUS te abençoe

O PENSADOR disse...

É meu amigo, o texto é longo mas profundo e reflexivo. Vale cada linha!
Que bom, ..., saber que sempre há mais uma voz a clamar pelo deserto!