segunda-feira, 26 de outubro de 2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ah, os profetas... Tristes Profetas!



E
les já
tiveram status de primeira grandeza na Bíblia; não andavam de automóveis último tipo e não possuíam grandes aeronaves (como alguns nossos contemporâneos). Caminhavam com passos cansados. Uns eram medrosos , outros, tão angustiados que se escondiam em cavernas... Porém, todos, tinham algo em comum, eram genuínos, autênticos. Nem precisava se auto-proclamarem profetas, pois tal qualidade lhes era tão peculiar que 'saltava aos olhos'. Primavam pela humildade ao invés da arrogância. De fato eram apenas instrumento d'Ele.

Hoje também há profetas (dizem), mas quem sabe? Quem atirará a primeira pedra? Profetas profanadores... alquimistas da palavra não escrita.

Há profetas...? Homens que se vestem de santidade - profetas boquirrotos. Pilhadores da fé alheia, depenadores de incautos, incultos.

Profetas...? Jogando as suas redes e recolhendo-as cheias - não de peixes, tampouco de almas, como Pedro. Mas cheias de sonhos. Sonhos das pobres criaturas que se enredaram nas 'malhas', seduzidas pela volúpia do 'espírito' fácil, convencidas pela garantia do 'escambo' da bênção.

Profetas gritadores, gritalhões; plantadores de verbos malfeitos, advérbios imperfeitos, substantivos nada substanciais.

Eles sobejam, bafejam 'anjos' , trafegam pelas vias celestiais do inusitado, trazendo para a espantada plateia a cura - cura pelo vento: vento de doutrina, de falsos ensinamentos. Eles curam! Curam? Sim, eles curam doenças imaginárias - imaginadas por eles. Enfermidades subjetivas, que se encontram no recôndito invisível das entranhas: veias entupidas, rins 'estragados', vesículas carcomidas, cânceres não diagnosticados. Curam tudo...

Eles libertam... de todos os demônios: do colesterol, do álcool, da prostituição, da depressão, da loucura, do triglicérides, do ácido úrico. Amarram, expelem, algemam, prendem. Não, não prendem. Eles dialogam com as entidades, num clima de quase respeito, quase camaradagem, velhos conhecidos...

Os profetas fazem tudo: pregam (histrionicamente) , ministram (insanamente), derrubam (espantosamente) e gritam (insistentemente).

Só lhes falta uma única qualidade, uma somente: eles desconhecem a Graça, como dom gratuito do Soberano Deus. Se esqueceram do Cordeiro, oferecido em holocausto como propiciação pelos nossos pecados. Assim, eles vendem a ideia da salvação ministrada por eles, porque eles são o canal, eles intermediam, eles fazem e eles acontecem.

Pobres profetas...


Por Ricardo Mamedes
Fonte: Púlpito Cristão

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Não ser perfeito não me impede de denunciar o pecado




"É perigoso calar a verdade sob o argumento de que ninguém é perfeito. A humildade em reconhecer a própria torpeza deve sempre conduzir ao arrependimento, e não ao cinismo, tampouco ao conformismo".


Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, clama o apóstolo Paulo em atitude revolucionária (Rm 12.2). Notem-se as palavras de ordem: não se conformar; transformar-se, renovar a mente.

O inconformismo é uma das marcas do cristianismo bíblico. O cristão é um inconformado por natureza. O cristão anda em revolta contra o sistema pecaminoso que impera no mundo. O cristão tem que ser indignado. Por isso, a Igreja sempre está em conflito com a sociedade, de um modo ou de outro. Quando um grupo cristão se conforma aos valores sociais do seu tempo, algo está muito errado. Uma dose de conflito sempre é necessária.

Não me refiro a conflito físico, mas a conflito moral e espiritual. As igrejas que estão muito afinadas com a sociedade estão mal diante de Deus, porque o Senhor não aprova os padrões deste mundo.

Por mais estranho que possa parecer, o legalismo evangélico aproxima as igrejas do mundo, em vez de afastar. Isso porque, sob a capa farisaica de uma santidade meramente exterior, cria-se uma cultura religiosa que não incomoda os poderes das trevas. Os não crentes vão nos tratar com um respeito indiferente, entendendo que somos mais um grupo social-religioso na grande teia pluralista dos agrupamentos sociais.

Não se conformar é não tomar a forma, o modelo do mundo. Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, moldando-nos do pó da terra. Iríamos nós, agora, nos desumanizar adotando uma forma diferente?

A segunda palavra de ordem é a da transformação pessoal. Eu preciso entender que posso mudar o mundo, e que a minha esperança juvenil não é loucura de um jovem sem maturidade. Poderei mudar o mundo na medida em que puder mudar a mim mesmo, pelo poder que há na Palavra de Deus, o poder do Espírito Santo, ofertado mediante a fé no sacrifício do SENHOR Jesus Cristo. Transformar a mim mesmo já é em si uma tarefa para um revolucionário!

A terceira e derradeira palavra de ordem é a da renovação da mente. Ora, Paulo tinha mesmo um conhecimento formidável, pois hoje o que se diz cientificamente é que o que o homem pensa de si mesmo irá determinar seu modo de vida, suas ações. Eis uma das contribuições da Psicologia. E, mais do que isso, precisamos entender que Paulo não era gnóstico, porque não é o conhecimento puro e simples que salva, mas o conhecimento de Cristo, o Único que pode resgatar o Ser Humano dos seus pecados.

Uso o texto de Rm 12.2 para combater o conformismo, a acomodação, a desesperança, o cinismo, a tolerância para com o pecado. Precisamos ser mais humildes, sim, precisamos nos arrepender dos nossos pecados, sim, e depois levantar a cabeça e denunciar os desmandos e desatinos de líderes que tomam a dianteira de rebanhos inteiros destinados à desnutrição espiritual ou, quem sabe, à morte.

Que jamais percamos a esperança. É ela que nos move adiante!



Por Alex Esteves
Fonte: Púlpito Cristão